#NovembroPreto: Aquilombamento & Ancestralidade

Qual a importância da ancestralidade, do ato de se aquilombar? Saber de onde viemos? De buscar nossas raízes? 

Por Geovana Nogueira, Júlia Cavalcante e Thais dos Santos; virajovens de São Paulo (SP).

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão, há apenas 130 anos. Temos um enorme      histórico de exclusão e opressão da população preta, resultado de uma estrutura racista que é reproduzida até hoje. Temos uma sociedade que invisibiliza e esconde a história do povo preto e dos povos originários. Só existimos hoje porque houveram os resistentes do passado. Nossos ancestrais romperam muitas barreiras para que pudéssemos ser o que somos. Por isso o resgate da nossa ancestralidade é tão urgente: os valores e os saberes do povo preto não podem ser apagados! 

Aquilombar-se é reconhecer a sua causa, a sua luta no outro. É o movimento constante de lutas de pretos e pretas contra a invisibilização social e cultural, exploração e opressão que marcam a nossa história desde a época da escravidão.

Quilombos devem ser entendidos como como forma de resistência, pois eram marcados pela diversidade – onde estavam abrigadas as pessoas que não viam no sistema colonial uma alternativa para sua vida. 

A busca de se conectar com suas raízes não deve ser individual, mas sim coletiva. Compreender as tecnologias e métodos que construímos ao longo dos séculos, o pertencimento e essa identidade são fundamentais para percebermos que não estamos sozinhos na luta, mas sim agindo coletivamente e estrategicamente. Foi este pensar que ergueu grandes civilizações, gerou inúmeros conhecimentos e até estratégias de sobrevivência. 

Como diz um adinkra – conjunto de ideogramas dos povos Akan,  chamado ‘Sankofa’: “Nunca é tarde para voltar ao passado e apanhar o que ficou para trás”. É preciso constituir espaços de resistência e fortalecimento para questionar o que está imposto, nos colocar em movimento para mudar a realidade!

Histórias que não nos contam

A história de nossos ancestrais se inicia em Kemet, que significa Terra negra – os gregos chamaram de Egito. Berço das culturas da África Subsaariana, começou a se formar no final do período paleolítico, quando o clima árido do Norte da África e a desertificação do Saara levaram muitos africanos a se mudarem para o Vale do Nilo. Quando pensamos na criação e construção das pirâmides, os keméticos foram pioneiros nas maiores ciências e tecnologias do MUNDO!

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Colagem afrofuturista. Créditos: Kaylan Michel

Nossos ancestrais criaram a medicina, a matemática, a arquitetura, engenharia, astronomia, filosofia, escrita, eletrônica e muitas outras coisas! É necessário sempre resgatar a história de rainhas, faraós e deuses keméticos-egípcios como de fato eram: pretos africanos. 

Tá na mão!

Assista os vídeos a seguir para saber mais sobre o tema:

Este texto foi um dos conteúdos produzidos e publicados na edição 117 da Revista Viração. Trata-se de um manifesto antirracista construído a muitas mãos – de adolescentes e jovens do Brasil inteiro.

Para acessar o material na íntegra, clique aqui.

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