Novas tecnologias são mais um motivo para produzir fanzines

Joelma Oliveira e José Carlos, colaboradores da AJN em João Pessoa (PB) | Fotos: Pedro Neves

O fanzine é um gênero independente de comunicação. O gênero passa por mudanças, especialmente pelo uso das novas tecnologias, mas continua em alta em muitos coletivos culturais e juvenis pelo Brasil para divulgarem suas ideias também em plataformas impressas e baratas, como é o caso dos zines.

Além disso, muitos projetos dedicados à formação de adolescentes utiliza o fanzine como estratégia pedagógica, como é o caso do Projeto Calango, um projeto de extensão universitária da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa. De acordo com seus colaboradores, o jornalista Marcelo Soares e a desenhista Paloma Diniz, o Calango “é um laboratório voltado para a produção, pesquisa e ensino sobre Histórias em Quadrinhos. Promovendo cursos, oficinas, palestras e exposições, nosso objetivo é contribuir para a formação de alunos universitários no campo das histórias em quadrinhos”.

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Esse meio de comunicação, mesmo com a internet, não perdeu seu encanto nem mesmo sua utilidade. “O espírito do faça você mesmo que esse meio carrega ainda é forte hoje em dia. O fanzine pode até mudar sua forma de se produzir e sua cara, mas ainda mantém viva e forte sua alma”, acredita o Marcelo, que também é fanzineiro e mestre em Comunicação.

Paloma segue o mesmo pensamento do colega, acreditando no convívio entre diferentes plataformas: “A fotografia que diziam que acabaria com a pintura, não acabou. A TV iria acabar com o cinema, não acabou. Agora, vemos a tecnologia digital superar muitas ferramentas analógicas. Ou seja, algumas modalidades de pintura e de fotografia não existem, porém, a mídia em si continua existindo.”

A desenhista é fã de fanzines. Apesar disso, conta que nunca teve um fanzine próprio. Ao contrário disso, sempre colaborou com vários, com temas que variam de moda a cultura alternativa. Ela acredita que os que se dedicavam a essa mídia até o começo dos anos 2000, foram um dos primeiros a ocupar a blogosfera. “Os blogs na internet tornou-se o habitat de muitos fanzineiros quando o acesso a informática e a aquisição do computador foi possível pela população. E tive meu blog onde eu escrevi resenhas sobre quadrinhos e algumas técnicas de desenho na plataforma blogspot. Hoje, eu tenho uma página na plataforma wordpress”, afirma ela.

Para os que curtem a arte dos zines, mas por alguma razão preferem permanecer apenas nas mídias digitais para se expressarem, Paloma argumenta sobre as inúmeras possibilidades criativas desse veículo de comunicação, que também pode ser feito a partir de programas rotineiros de computador ou de Softwares Livres de diagramação, como o Scribus, disponível para baixar gratuitamente da internet.

“O fanzine é uma maneira independente de publicação, em que você é total responsável pelo conteúdo, diagramação, impressão e distribuição. Há um certo retorno desta ideia de produzir fanzines, principalmente porque a população teve, além de acesso a ferramentas de produção, acesso aos conhecimentos dos meios de produção de publicações. O computador que o diagramador usa para imprimir uma revista numa determinada gráfica pode ser igual ao seu. Isso não existia antes da popularização da informática e da internet, o que facilitou a comunicação. O retorno do espírito fanzineiro e a facilidade do acesso às tecnologias e gráficas trouxeram as publicações independentes – e fanzines – de volta às paradas de sucesso”, conclui Paloma.

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