No Dia Mundial da Água, aprenda a reaproveitar a água residual

| Texto e foto por: Ethel Rudnitzki

 

Quando o astronauta russo Yuri Gagarin foi para o espaço pela primeira vez em 1961, sua primeira reação foi dizer em deslumbre “A Terra é azul!’.

Essa cor mágica que toma conta do nosso planeta vem da água, que cobre 71% da superfície da Terra. Ela é responsável pelo surgimento da vida na forma que conhecemos hoje, e compõe cerca de 65% do corpo humano.

Ainda assim, a água é um recurso finito e que parece ser pouco valorizado. Apenas 3,5% da água no mundo é potável, vindo de lagoas e rios doces. O restante da água está em reservas subterrâneas, nos oceanos, e congelada em forma de geleiras, sendo imprópria para o consumo.

Porém, as lagoas, rios e mares estão cada vez mais poluídos. A cada ano, aproximadamente 10 milhões de toneladas de lixo acabam nos mares e oceanos do planeta. Segundo o último relatório mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, oficialmente lançado hoje por ocasião da data, cerca de 80% da água residual em todo o mundo é jogada no meio ambiente sem tratamento.  

No Brasil, um estudo realizado em 111 corpos de água pela Fundação SOS Mata Atlântica, entre março de 2014 e fevereiro de 2015, revelou que 23% dos rios brasileiros possuem água de qualidade ruim ou péssima.  

Por isso, a ONU determinou o dia 22 de março como o Dia Mundial da Água. A data tem como finalidade estimular a discussão sobre a economia de recursos hídricos e o fim do desperdício. O tema deste ano é “Águas residuais: o recurso inexplorado”

O brasileiro gasta em média 166 litros de água por dia, segundo o Sistema Nacional de Informações de Saneamento Básico do Ministério das Cidades. A ONU estipula que é preciso apenas 110 litros de água por dia para atender às necessidades de uma pessoa.

Mas, mesmo que o consumo de água seja reduzido, o que fazemos com a água que vai para o ralo, a chamada água residual? Boa parte dela vai para rios e mares, levando consigo resíduos tóxicos para o meio ambiente.

Ainda segundo o relatório sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, alguns países tratam menos de 10% das águas utilizadas, e mesmo os países mais ricos não passam de 70%.“As águas residuais são um recurso valioso em um mundo no qual a água é finita e a demanda é crescente”, afirma Guy Ryder, presidente do UN Water (ONU Água) e diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A ONU estabeleceu como meta de Desenvolvimento Sustentável, reduzir pela metade a proporção de águas residuais não tratadas e aumentar a reutilização de água até 2030. “Aumentar a aceitação social acerca do uso de águas residuais é essencial para avançarmos”, argumenta a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, em seu prefácio no Relatório.

 

Como reutilizar?

Existem diversas maneiras de reutilizar a água residual. Elas já são utilizadas para irrigação agrícola em pelo menos 50 países – para isso, a água precisa ser tratada, a fim de evitar a contaminação das plantações.

A água residual também pode ser usada em processos industriais de aquecimento e resfriamento de máquinas e até para o reabastecimento de água potável, se tratadas corretamente. Essa prática já vem sido adotada na Namíbia, país desértico onde a água é escassa.

Além disso, as águas residuais podem ser fontes de matéria orgânica e mineral. Certos nutrientes presentes na urina, nas fezes e em outros resíduos jogados nas águas, podem ser recuperados e utilizados, como é o caso do fósforo e dos nitratos para a produção de fertilizantes.

Também em casa podemos reutilizar água. A água que usamos na descarga pode ser a mesma que usamos para tomar banho, ou a água que regamos nossas plantas, pode ser a mesma que lavamos o rosto de manhã, por exemplo. Existem sistemas de reutilização que podem ser instalados dentro dos lares para este fim.

Assim, todos podemos e devemos participar na construção de um mundo mais sustentável. “Vamos todos reduzir e reutilizar com segurança as águas residuais para que este recurso precioso atenda às necessidades de populações cada vez maiores em um ecossistema frágil”, conclui Ryder.

Ethel Rudnitzki
Redatora e repórter na Agência Jovem de Notícias

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