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Mulherismo Africana e Feminismo Negro: Quem é quem? – Agência Jovem de Notícias

Mulherismo Africana e Feminismo Negro: Quem é quem?

Em quais pontos os movimentos se cruzam ou se tornam divergentes?

Neste mês em que ganham destaque as pautas de lutas das mulheres, nada mais propício do que discorrer sobre as diferenças e semelhanças entre o Mulherismo Africana (com “a” no final mesmo…) e o Feminismo Negro, tema que me desperta interesse há alguns anos.

A primeira vez que eu ouvi alguém falando sobre o assunto, fiquei muito confusa, porque, pra mim, parecia tudo igual. Além disso, me deparei com muitos termos até então desconhecidos: Pan-africanismo, Mulherismo, Afrocentricidade, Interseccionalidade, etc.

Então, vou procurar explicar quem é quem nesse rolê da militância preta feminina, começando pelo mais conhecido:

O Feminismo Negro

Como parte da terceira onda feminista, essa vertente dos muitos feminismos é um movimento político e teórico que vem dizer que não basta buscarmos mudanças sociais focando apenas o sexismo, mas que a opressão de classes, a identidade de gênero e o racismo também devem ser considerados. Ter essa preocupação em dar conta disso tudo foi o que a jurista Kimberle Crenshaw, chamou, em 1989, de interseccionalidade.  

Algumas das principais pautas do feminismo negro são:

1- Racismo Estrutural

2- Mostrar que mulheres negras nunca foram vistas como frágeis

3- Representatividade Efetiva

4- Colorismo

5- Solidão da Mulher Negra


Referências do Feminismo Negro

A precursora do feminismo negro chama-se Sojourner Truth, uma cristã metodista norte-americana escravizada ao nascimento, que viveu entre os séc. XVIII e XIX. Algumas das principais vozes da atualidade sobre o assunto se inspiram nela. Como Bell Hooks, que nomeou um de seus livros com o título do discurso mais famoso de Sojourner: “Eu não sou uma mulher”? Outras referências no assunto são:  Angela Davis, Kimberlé Williams Crenshaw, Patricia Hill Collins, Audre Lorde.

No Brasil temos:  Djamila Ribeiro, Sueli Carneiro, Nilma Lino Gomes, Luiza Bairros, Jurema Werneck, Lélia Gonzalez, Nilza Iraci, Beatriz Nascimento.

E tem celebridade feminista negra também? TEM! A maravilhosa Beyoncé e a escritora Chimamanda Ngozi Adichie estão aí quebrando tudo!


Pelo fato da filosofia e das pautas do Feminismo Negro serem mais difundida que as do Mulherismo Africana, vou me ater menos nesse tema.

Maaaas, pra quem quiser saber melhor, tem vídeos muuuuito legais sobre essas pautas no youtube! Quero indicar esse , esse, esse, esse e esse (Cliquem ou mooorram de curiosidade!).


Agora vamos falar (um pouco mais demoradamente) do Mulherismo Africana que, eu, particularmente, conhecia muito pouco e tô boba!

O Mulherismo Africana

Diferente do “Mulherismo” da norte americana Alice Walker, não tem como prioridade discutir o gênero, mas antes, a raça, depois a classe, e só então o gênero.  

Isto porque o Mulherismo Africana entende que as violências que atingem o povo preto passam primeiramente pela questão da cor, do cabelo, do biotipo e dos traços que nosso povo carrega como herança da raça. Também aponta que, ainda que haja diferença de gênero, a mulher preta está muito mais próxima do homem preto que da mulher branca em termos de compreender as dores que o racismo traz, mesmo em relação à sua posição na pirâmide social.

O Mulherismo Africana se sustenta sobre três pilares: o Pan-Africanismo, a Afrocentricidade e o Matriarcado.

Pan-Africanismo

É uma proposição política que diz que nós, negros em todo o mundo, somos todos africanos – do continente ou da diáspora – e só vamos conseguir a nossa emancipação se nos unirmos, porque temos uma origem e um opressor em comum. O Pan-Africanismo tem três vertentes: capitalista, socialista e nacionalista. Essa última acredita em reerguer nosso povo de forma autônoma, sem precisar de financiamento de outros povos.

Afrocentricidade

Seria o caminho para alcançar o objetivo final do Pan-Africanismo. Essa corrente fala sobre ter a África como ponto de partida, referência e norte. E isso, em termos práticos, se daria no ato de valorizar e priorizar tudo que vem de pessoas negras e para pessoas negras. Daí vem, por exemplo, o “blackmoney”: comprar de pessoas negras, para o dinheiro circular entre nós.

Matriarcado

Esse terceiro pilar compreende a mulher negra como princípio e organização de uma comunidade. Ao contrário do que possa parecer, o matriarcado não considera a mulher superior ao homem, mas reconhece sua importância e lhe dá honras por isso. Outra coisa que vale esclarecer é que o Mulherismo Africana não termina com “A” por questões de gênero. Esse “a” é um plural do latim – o que mostra que, desde a etimologia, o Mulherismo Africana reconhece a pluralidade das experiências das mulheres pretas de África e em diáspora.

Bonito, né?!

Vamos às referências?

As vozes principais do movimento são as seguintes afrikanas em diáspora: Cleonora Hudson-Weems, Nah Dove, Anin Urasse, Cheikh Anta Diop, Katherine Bankole, Marimba AniAma Mizani, Aza Njeri , Katiucia Ribeiro e Joceline Gomes . Têm pretas lindas mulheristas africanas contando mais neste link e neste também.

Não encontrei tantas teóricas conhecidas ou traduzidas pro Português, mas há blogs e sites super ricos em referências, artigos traduzidos do original, etc e tal. Dá uma olhada nesses que são super fortes em conteúdo: Pensamentos mulheristas e Quilombo UNIAPP.

Para não dizer que no Mulherismo Africana não há celebridades, quero destacar o filme Pantera Negra. Se você ainda não assistiu, vale muito a pena! Posso te dizer que esse filme talvez traga a melhor ilustração da atualidade sobre o assunto. E a Joceline Gomes, que eu até citei acima, descreve muito bem isso nessa resenha.

E no final das contas, seriam Mulherismo Africana e Feminismo Negro complementares ou divergentes? Essa é uma discussão ainda sem final.

Veja a reflexão que essa feminista negra propõe aqui… E o que a Nonny Gomes traz à favor do mulherismo africana durante o bate papo com a Joceline Gomes nesse vídeo aqui.

Permita-se refletir!

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Leandra Barros – correspondente da AJN, em Vitória/ES.
Fotos: Márvila Araújo

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