Mulheres e a ciência, II: Marie Curie

A mulher que mudou o mundo.

Por Maria Clara Almeida

Marie Curie foi a responsável por avançar os estudos a respeito da radioatividade, descobrir os elementos polônio e rádio, além de ser a primeira mulher a receber um prêmio Nobel.

Marie Curie

A vida de Marie Skłodowski-Curie

Na cidade de Varsóvia, na Polônia, no dia sete de novembro de 1867, a diretora Bronisława e o professor de matemática e física Maładysław tiveram sua quinta e mais nova filha da família, Marie Salomea Skłodowski, futura Marie Skłodowski-Curie.

Dez anos depois, em 1877, a pequena Marie passou a frequentar o internato de J. Sikorska e, um ano depois, no dia oito de maio de 1878, sua mãe morreu de tuberculose. Após a conclusão do período no internato, a menina passou a estudar em um ginásio, na qual se formou aos 15 anos.

Marie se destacava em meio a tantos alunos, o que lhe rendeu uma medalha de ouro.

Após a escola secundária, as mulheres tinham poucas opções: poderiam assumir tarefas domésticas; trabalhar em certas áreas (como a artesanal); dar aulas e outras, mas o ensino superior era raro de se ver entre essas opções. Sendo assim, Marie decidiu entrar em uma universidade na qual aceitavam-se mulheres, ilegalmente, a Universidade Volante. Skłodowski trabalhou como governanta e professora para poder bancar seus estudos e, nos anos de 1890 e 1891, iniciou seus trabalhos científicos em um laboratório de química no Museu de Indústria e Agricultura.

No final desse mesmo ano, ela foi para a França e continuou seus estudos na Universidade de Sorbonne, onde se formou em física, em 1893, além de começar a trabalhar no laboratório do professor Gabriel Lippmann, físico importante da época. Mesmo não tendo boas condições financeiras, conseguiu um segundo diploma, por ter conseguido bolsas de estudo, no ano de 1894.

Marie estava à procura de um laboratório maior para realizar suas pesquisas a respeito das propriedades magnéticas do aço e, na mesma época, Pierre Curie soube da procura dela e lhe ofereceu um espaço em seu laboratório, o que os levou a descobrir o amor. Pierre trabalhava na ESPCI (Escola Superior de Física e Química Industriais de Paris) e tinha uma paixão indescritível por ciência, assim como Marie. 

Os dois se casaram em vinte e seis de julho de 1895, em Sceaux.

Marie e Pierre Curie.

No ano de 1895, o físico Wilhelm Roentgen descobriu os chamados raio-x e, um ano depois, em 1896, Henri Becquerel realizou pesquisas com sais de urânio e percebeu que haviam efeitos radioativos que não eram produzidos por raio-x e, sim, vinham de propriedades do urânio.

Essa descoberta de Henri levou Marie a estudar essas propriedades.

Marie e Pierre Curie em seu laboratório.

A radioatividade, o polônio e o rádio

Pierre e seu irmão desenvolveram uma versão diferenciada do eletrômetro, dispositivo que mede carga elétrica, quinze anos antes. Marie, para fazer suas pesquisas, utilizou deste dispositivo, em um galpão ao lado da ESPCI.

Assim, descobriu que a atividade radioativa do urânio dependia apenas da quantidade deste presente, além de construir a hipótese de que a radiação surgia de uma interação no próprio átomo.

Curie analisou os minerais de urânio, pechblenda e calcolita (ou torbernita). Dessa forma, constatou que a calcolita era duas vezes mais radioativa que o urânio e, a pechblenda, quatro vezes. Após essa descoberta, ela iniciou uma pesquisa para achar mais desses minerais radioativos e, em 1998, descobriu a radiação do elemento tório. Nesse mesmo ano, Pierre abandonou seu outro trabalho sobre cristais para se juntar a sua esposa.

“O fato [a pechblenda e a calcolita serem mais radioativas que o urânio] é muito notável e leva à crença de que esses minerais podem conter um elemento muito mais ativo que o urânio”

Frase de um artigo de Marie Curie.

O elemento polônio foi anunciado pelos dois cientistas em julho de 1898 e o rádio, no dia vinte e seis de dezembro do mesmo ano, após toneladas de pechblenda moídas.

Para entender:

Radioatividade

A radioatividade é definida como o fenômeno pelo qual um núcleo instável emite partículas e ondas para atingir a estabilidade.

Polônio 

O polônio, de símbolo Po, número atômico 84 e massa atômica 209 u, tem esse nome em homenagem à Polônia, terra natal de Marie Curie.

Rádio

O rádio, de símbolo Ra, número atômico 88 e massa atômica 226 u, é um metal radioativo que pode ser encontrado em minerais de urânio.

No total, 32 artigos a respeito das descobertas dos Curie foram publicados. Em um desses, era citado que tumores, ao serem expostos ao elemento rádio, eram destruídos.

Em 1903, Madame Curie recebeu seu doutorado na Universidade de Sorbonne, graças aos seus trabalhos científicos. Além disso, para discursar sobre a radioatividade, foram convidados à Royal Institution, porém, apenas Pierre falou, pois Marie foi impedida por ser mulher.

Prêmios de Marie Curie

“Em reconhecimento aos serviços extraordinários que prestaram por suas pesquisas conjuntas sobre os fenômenos de radiação descobertos pelo professor Henri Becquerel.”

Certificado do Prêmio Nobel de Física, 1903

No ano de 1903, foi concedido à Marie Curie, Pierre Curie e Henri Becquerel o Prêmio Nobel de física. Assim, Madame Curie tornou-se a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel.

Ao receber a premiação, a Universidade de Sorbonne ofereceu a Pierre sua cátedra de física e um cargo de professor titular, além de um laboratório maior e melhor.

No dia dezenove de abril de 1906, Pierre foi atropelado por uma carroça puxada por cavalos e teve seu crânio esmagado. Praticamente um mês depois, em treze de maio, a Universidade na qual Curie trabalhava, ofereceu a Marie o cargo de seu marido falecido.

Marie foi a primeira professora da Universidade de Paris.

Para estudar a radioatividade e realizar tratamentos usando a radioterapia, foi criado um laboratório, em 1909, o Instituto do Rádio, hoje, Instituto Curie, porém, apenas acabaria de ser construído em 1914.

Marie tornou-se uma das mais renomadas cientistas de sua época.

1911; Conferência Solvay.

“Em reconhecimento aos seus serviços ao avanço da química, por meio da descoberta dos elementos rádio e polônio, do isolamento do rádio e do estudo da natureza e dos compostos desse elemento notável”

Certificado do Prêmio Nobel de Química, 1911

Em 1911, foi concedido à Marie Curie o Prêmio Nobel de Química. Tornando-se a primeira pessoa a receber dois Prêmios Nobel em áreas distintas.

Primeira Guerra

Na época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Marie estudou radiologia, anatomia humana e mecânica automotiva e, com isso, equipamentos de raio-x e veículos foram adquiridos por ela e assim criou unidades móveis de radiografia para que fosse possível ajudar os cirurgiões do campo de batalha e criou o primeiro centro militar de radiologia da França. Ela geriu 20 unidades móveis de radiografia e 200 unidades de equipamentos de radiografia em hospitais de campanha e, logo depois, treinou auxiliares.

Rádon, um gás radioativo, foi usado por Curie, em 1915, para esterilizar tecidos infectados

Ao o iniciar da guerra, a cientista tentou doar suas medalhas do Nobel ao esforço de guerra, mas a proposta foi negada.

Após a guerra, o Instituto Curie tornou-se ativo, pois não estava funcionando na época do conflito. Marie visitou muitos lugares, dando palestras e fazendo pesquisas. Ela também tornou-se membro do Comitê Internacional de Cooperação Intelectual da Liga das Nações, em 1922.

Morte

Aos 66 anos de idade, devido a exposição à radioatividade, Marie Curie morreu por anemia aplástica, em Passy, França. Ela foi enterrada ao lado de seu marido, Pierre.

Estátua de Marie Curie construída em Varsóvia, Polônia, em 1935

Os Curie

Marie e Pierre tiveram duas filhas, Irène e Éve Curie.

Filhas do casal Curie.

Sua filha Irène ganhou, juntamente com seu marido Frédéric Joliot-Curie, o Prêmio Nobel de Química em 1935 pela descoberta da radioatividade artificial.

Sua outra filha, Éve Curie, foi pianista, crítica musical e jornalista. Escreveu um livro sobre a vida de sua mãe, Madame Curie e Jornadaentre guerreiros, citando algumas de suas viagens para diversos países, além de ter escrito para vários jornais franceses.

Quer saber mais? O filme “Radioactive”, na Netflix, fala sobre a vida de Marie Curie. Vale apena assistir.

Dá uma olhada nessas fontes de pesquisa e fotos:

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