Mulheres contra Bolsonaro: um movimento antifascista

(Imagem: Rodrigo Ferraz / Zímel Press)
Por Nathalya Roberta Nascimento

Estava quase no fim, eu fui bem tarde pois estava com medo do que encontraria lá, mas quando eu cheguei, vi que não tinha o que temer, sabe? Havia tantas famílias, mulheres, senhores de idade, jovens… tinha até criança! Estava todo mundo lá. Eu vi pessoas que eram a favor do Ciro, do Amoêdo e de outros candidatos. Eu vi que não era um ato partidário que estava acontecendo lá naquele dia, era um ato de esperança, de um futuro melhor, com mais amor, tolerância e principalmente respeito” é assim que a estudante de jornalismo Luana Duarte Pinheiro (19) descreveu o cenário que encontrou na tarde de sábado do dia 29 de setembro no Largo da Batata, Zona Oeste de São Paulo, na manifestação que ocorreu contra o candidato Jair Bolsonaro do PSL ( Partido Social Liberal). 

A manifestação “Mulheres contra Bolsonaro “ foi uma iniciativa que nasceu de um grupo de Facebook, que conta com mais de 3,5 milhões de mulheres. Programado para ter início às 15 horas, o evento organizado através da rede social já contava com mais de 40 mil confirmados e 155 mil interessados nas semanas anteriores. Ao se pesquisar #EleNão, hashtag criada no grupo, no Instagram, mais de 320 mil publicações aparecem, seguida pelas #EleNunca e #EleJamais.

Não foi apenas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro que ocorreram os atos contra Bolsonaro, houve atos em 114 cidades no país e algumas outras do mundo como Nova York, Lisboa, Paris e Londres. Artistas internacionais, como a cantora Dua Lipa e o cantor Dan Reynolds, da banda americana Imagine Dragons, foram uns dos primeiros a se manifestarem em suas redes sociais utilizando a hashtag #EleNão. A atriz Ellen Page classificou Bolsonaro como sendo um homem “perigoso, machista, homofóbico, racista e misógino”. Aqui no Brasil, atores, cantores e influenciadores digitais também aderiram à hashtag deixando claro os motivos que os levavam a ir contra o candidato.

Segundo Céli Regina Jardim Pinto, Doutora e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Essex na Inglaterra, nunca antes houve uma manifestação assim. Para ela, é surpreendente como se conseguiu juntar tanta gente para se manifestar contra um candidato.

Diferentemente de manifestações anteriores, a Polícia Militar não determinou quantos participantes apareceram, porém através de imagens aéreas, onde se considera o espaço ocupado, estimativas produziram uma análise em que se chega a 100 mil pessoas no Largo da Batata e 25 mil na Cinelândia, Rio de Janeiro, nos momentos de pico.

Ao se analisar a intenção de votos, um choque: pela primeira vez na história é possível se notar que homens e mulheres garantiriam um futuro diferente nessas eleições. Se Jair Bolsonaro dependesse apenas de eleitores homens, o candidato venceria a disputa logo no primeiro turno, porém ao se colocar a intenção das mulheres na balança, o candidato ficaria empatado com Fernando Haddad do PT (Partido dos Trabalhadores). De acordo com dados coletados pela BBC News Brasil, nunca houve uma disparidade tão grande entre votos de homens e mulheres

Vale lembrar que não é a primeira vez que um movimento foi impulsionado pelas redes sociais. Em março de 2014, a #NãoMereçoSerEstuprada surgiu como uma das primeiras hashtags feministas de alcance nacional. Outras como #PrimeiroAssédio e #MeuAmigoSecreto também tiveram uma popularização muito grande entre mulheres de todo país. Porém, diferente desses movimentos que ocorreram puramente nas redes sociais, o #EleNão provocou protestos em diferentes lugares do mundo, sendo capaz de reunir milhares de mulheres defendendo a mesma causa.

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