‘MUDE com ELAS’: jovens negras e acesso ao trabalho

Pesquisa aberta a jovens mulheres negras entre 16 aos 29 anos de idade recebe respostas até 26 de maio. Saiba como participar

Num momento de crise de emprego, agravado pela COVID-19, os dados do IBGE mostram que a população negra, jovens e mulheres encontram as piores condições de acesso a trabalho. É nesse cenário que o projeto MUDE com Elas vem unir esforços para enfrentar as desigualdades que afetam a inserção profissional de jovens mulheres negras.

A desigualdade está no cerne da inserção no mundo do trabalho: de forma geral, jovens têm sua entrada marcada pelo desemprego (duas a três vezes maior que o verificado entre adultos), pela baixa remuneração e por vínculos de trabalho mais precários e desprotegidos, além das crescentes exigências de formação e de atributos subjetivos (como a capacidade de trabalhar sob pressão).

Um olhar mais atento mostra ainda as desigualdades entre a juventude, com disparidades de classe social, gênero e raça que fazem com que as jovens mulheres negras sofram com os piores indicadores relativos a trabalho. São jovens que têm de lidar com a sobrecarga do trabalho doméstico atribuído às mulheres e com o racismo presente (ainda que de forma velada) em muitos processos seletivos.

Se em momentos de estabilidade econômica as famílias podem adiar a entrada no mercado de trabalho de seus jovens, em situações de crise a pressão por trabalho remunerado aumenta. Porém, cabe entender a busca por trabalho como parte da construção da autonomia e independência pela juventude.

Assim, é necessário criar estratégias que garantam direitos nessa inserção, considerando suas especificidades.

Um esforço nesse sentido foi feito na construção da Agenda Nacional do Trabalho Decente para a Juventude, elaborada em 2011 por um comitê do governo federal, com apoio técnico da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Agenda propõe como prioridades: mais e melhor educação; conciliação dos estudos, trabalho e vida familiar; inserção ativa e digna no mundo do trabalho, com igualdade de oportunidades e de tratamento; e diálogo social.

“Essas jovens estão entre os segmentos mais marcados pelo desemprego e informalidade. Queremos discutir essas barreiras, trazer mais jovens para esse debate e fortalecer o compromisso da sociedade com a luta antirracista no campo do trabalho”, afirma Lucia Udemezue, coordenadora do projeto pela Ong Ação Educativa.

PESQUISA SOBRE JOVENS NEGRAS E ACESSO AO TRABALHO

O MUDE com ELAS compartilha uma pesquisa, dividida em dois questionários direcionados a Jovens mulheres negras em busca de trabalho, que visa compreender melhor as vivências e desafios que esse público encontra na busca por emprego e Jovens mulheres negras que estão empregadas, que tem por objetivo ampliar a compreensão sobre as vivências e desafios que este segmento encontra quando consegue acessar um emprego. A pesquisa tem como objetivos:

a) Ampliar o conhecimento sobre quais são as condições de acesso a trabalho por jovens mulheres negras;
b) Ampliar o conhecimento sobre quais são os impactos do racismo e das desigualdades de gênero na vida de jovens;
c) Conhecer as experiências de jovens mulheres negras na busca por trabalho, as dificuldades enfrentadas por elas e quais são suas demandas de apoio.

Quer participar? Se você tem entre 16 aos 29 anos de idade, acesse os questionários abaixo até o dia 26 de maio:

QUESTIONÁRIO 1 Jovens mulheres negras em busca de trabalho, que visa compreender melhor as vivências e desafios que esse público encontra na busca por emprego.

QUESTIONÁRIO 2 – Jovens mulheres negras que estão empregadas, que tem por objetivo ampliar a compreensão sobre as vivências e desafios que este segmento encontra quando consegue acessar um emprego.

Ação Educativa / Divulgação

Sobre o projeto

O projeto MUDE com ELAS é uma iniciativa que reúne a Ação Educativa, Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha em São Paulo (AHK São Paulo) e Terre des hommes Alemanha (Tdh), cofinanciadora junto com o Ministério para Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha.
Essa pesquisa busca compreender mais sobre a situação de jovens negras e sua relação com o mercado de trabalho na região metropolitana de São Paulo.

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