Marielle Franco e a dor que uniu pessoas

Por: Jefferson Rozeno / Agência Jovem de Notícias/ Foto: Gibran Mendes

Na última quinta-feira (16) em todo o país milhares de pessoas tomaram as ruas e se reuniram para pedir paz, justiça e o fim do genocídio, em solidariedade a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Pedro, ambos brutalmente assassinados na última quarta-feira no Rio de Janeiro.

A quinta vereadora mais votada na segunda maior cidade brasileira (Rio de Janeiro), era conhecida  pela luta nas áreas dos direitos humanos, das mulheres, dos LGBTQ e principalmente pelo fim do genocídio da população negra e periférica, este último em que ela se dedicou mais em suas últimas semanas de vida.

Há algumas semanas, a vereadora assumiu a função de relatora da Comissão da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, responsável por acompanhar a intervenção militar no estado. A intervenção foi aprovada pelo Congresso no dia 16 de fevereiro deste ano, justificada pelo aumento da violência no estado. Com um mês de intervesão, não houve redução da violência e a repressão de moradores e moradoras das favelas e comunidades periféricas aumentou, segundo relatos dos próprios moradores e da sociedade civil organizada.

Como resultado desta interação, Marielle fez uma denuncia uma semana antes de sua morte, em seu perfil nas redes sociais contra policiais do 41º BPM (Batalhão da Polícia Militar) de Acari que, de acordo com ela, teriam assassinado dois jovens: “Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior.”

As investigações sobre a execução da vereadora ainda não foram concluídas e as coincidências com a atuação política e as denúncias feitas por Marielle levantam suspeitas da população que acredita em uma possível execução . o que provocou uma onda de luto e indignação coletivas nas ruas, além de ser uma figura política, Marielle representava o movimento das mulheres, das pessoas negras e das favelas cariocas.

Mobilizações foram registradas em todas as regiões do país e também fora do Brasil.Em São Paulo, milhares de pessoas tomaram a Avenida Paulista, cartão postal da cidade. Entre os cartazes, bandeiras e gritos de ordem, era possível sentir as dores de uma perda.

Pessoas de todas as idades participaram do ato pacífico. Acompanhado de sua família, o jovem negro e periférico, Gabriel Santos, de 16 anos, participou de seu primeiro ato e conta como foi a experiência: “Eu fiquei emocionado com essa união das pessoas, a dor nos uniu e isso é muito raro […] eu vi muitos cartazes, velas, rosas, bandeiras e fazer isso em família deixa mais especial”.

Além do Gabriel,  Maria Cecília, de 84 anos. socióloga, aposentada, e militante das causas das mulheres velhas – como descreveu – comenta: “É um absurdo o que acontece no Brasil, o Rio de Janeiro está abandonado e olha que eu vivi a ditadura, eu vi muitos de nós morrer, isso é muito triste”. Maria conta que sempre que possível participa de mobilizações, o último que presenciou foi o ato em prol da liberdade de Rafael Braga, única pessoa presa nas manifestações de 2013.

A união e a comoção guiaram os atos pelo país, a certeza que fica é que assim como muitas, essas vozes não serão silenciadas e essas vidas não serão esquecidas. A expectativa é de que a justiça seja feita e que jamais poderão nos calar!

 

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