Maria Lenk: Uma lenda do esporte

Renata Souza, do Virajovem Rio de Janeiro (RJ)

Ilustração de Novaes, colaborador da Agência Jovem de Notícias

Fôlego foi o que não faltou na vida de Maria Emma Hulga Lenk Zigler. A nadadora brasileira, popularmente conhecida como Maria Lenk, foi a primeira mulher sul-americana a competir em Olimpíadas, em 1932. A marca foi batida quando tinha apenas 16 anos de idade, nos jogos olímpicos de Los Angeles (Estados Unidos). A paulista, nascida em 15 de janeiro de 1915, nos deixou em 16 de abril deste ano, quando poderia acompanhar de perto os Jogos Pan-Americanos realizados no Rio de Janeiro, local onde morou até os últimos dias de vida.

O Parque Aquático onde serão realizadas as provas dos Jogos Pan-Americanos, recebeu o nome de Maria Lenk. A homenagem, em vida, foi concedida pela Prefeitura do Rio, em 13 de janeiro de 2007, através de um decreto do executivo municipal. Dedicada ao seu esporte, a atleta nadava cerca de 1.500 m por dia até o último momento em que pôde respirar. Esse fôlego, que lhe rendeu grandes títulos na juventude, serviu de exercício para que pudesse publicar o livro Longevidade e Esporte, lançado em 2003, após três anos de pesquisa.

Maria Lenk conquistou diversos recordes mundiais. Tanto que, em 1988, entrou para o hall da fama da Federação Internacional de Natação (FINA). Lá, foi homenageada com o Top Ten por ser um dos dez melhores nadadores master do mundo. Com este título, alcançou o patamar de membro vitalício da Sociedade Americana de Técnicos de Natação. Nossa heroína nas águas também foi importante para a Educação Física no País. Em 1942, ajudou na fundação da Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Por conta da Segunda Guerra Mundial, os Jogos de 1940 foram interrompidos e Maria Lenk teve que adiar seus planos. Nos anos que antecederam à frustração de 1940, a nadadora reafirmou o seu talento para o mundo. Durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, quebrou dois recordes mundiais individuais, nos 200m e 400m nado peito. Foi a primeira e única brasileira a atingir tal marca.

Maria Lenk faleceu quando praticava o que mais amava na vida, nadar. A atleta teve uma parada cardiorespiratória na piscina do parque aquático do Clube de Regatas Flamengo, aos 92 anos. O velório foi no próprio Clube do Flamengo e seu corpo foi cremado. Hoje a lenda do esporte nacional, além de ser homenageada ao nomear um parque aquático, empresta seu nome a troféus de natação.

Texto publicado na edição nº 35 da Revista Viração, em julho de 2007

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