Marcha das Mulheres toma conta do Rio


Cerca de 5 mil mulheres dos cinco continentes seguiram em passeata pelas ruas do centro do Rio Janeiro, no dia 18 de junho. Militantes da causa feminista de movimentos sociais de todo o mundo gritaram palavras de ordem pedindo igualdade, respeito e o fim do machismo. A mensagem era passada também através de placas, faixas e palavras pintadas no corpo. “O corpo é meu”, “Abaixo a ditadura de gênero”, “Maria, vem com as outras”, “Meu corpo, minhas regras”, frases como essas eram lidas por quem passava pelo grupo.

Algumas mulheres seguiram a marcha de sutiã ou com os seios a mostra. “Nós temos direito de mostrar o nosso corpo, sem que isso seja um convite à violência”, protesta a estudante Kenia Araújo, 19 anos, uma das adeptas da postura. Para ela as jovens costumam ser vítimas do machismo dentro de casa. “Desde criança a menina tende a ser moldada. Há uma pressão dos pais para aprender afazeres domésticos, incentivadas a ficar em casa, privadas do mundo
público em detrimento de aprender a cuidar da casa”, indigna-se a moça, que acredita que a transformação só é possível através da mobilização.

Em outros luares do país e do mundo, as mulheres estão lutando por direito ainda mais básicos. A agricultora Socorro Nascimento é do Maranhão. Os principais problemas da região onde vive são a não regularização dos territórios quilombola e fundiária – para a geração de emprego e renda – e a falta de investimento na educação. “Os jovens não tem como se profissionalizar, porque não tem opção para continuar os estudos. Então são obrigados a ir para a capital, ficam longe da família”, lamenta Socorro.

Souknida Yongchialorsautouky é de uma comunidade indígena do Laos. Veio ao Brasil para participar da Cúpula dos Povos no Rio+20 e não perdeu a oportunidade de participar da marcha. “As mulheres precisam ter voz ativa”, afirma.

Alguns homens sabem que são parte importante neste processo e fizeram questão de apoiar a causa. Gritando junto com as mulheres as palavras de ordem e segurando faixas. “Nós precisamos nos engajar nesta luta. É para o bem da humanidade. É algo que influencia diretamente a nossa realidade”, compromete-se o jovem Gustavo Marinho, de Alagoas.

Por Ivana Dorali

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