Manual voltado para comunicadores auxilia na construção de jornalismo não sexista

A Comunicação e Informação da Mulher – AC (Cimac), com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Instituto de Mulheres do Distrito Federal (Inmujeres – DF), lançou recentemente a segunda edição do manual “Para a construção de um jornalismo não sexista”. A publicação leva a jornalistas informações sobre a importância de se visibilizar as mulheres e reconhecê-las como protagonistas dos acontecimentos veiculados na mídia.

 

Ao percorrer México, América Central, Caribe e América do Sul, o relatório aponta que conseguiu encontrar nos meios de comunicação abordagens sobre a condição social das mulheres, contudo, percebeu que não há um olhar com perspectiva de gênero que seja preponderante nos meios de comunicação das regiões.

 

A partir disso, o relatório propõe o desenvolvimento de um jornalismo não sexista “que promova a igualdade entre os homens e as mulheres e a democratização dos meios de comunicação”. Um dos passos para esta mudança pode ser a renovação na linguagem utilizada nas matérias para que toda a população se veja retratada e se reconheça.

 

“Realizar um jornalismo não sexista exige um trabalho profissional com perspectiva de gênero que visibilize, desde uma linguagem sem estereótipos, a condição social em que vivem as mulheres”, explica o relatório relembrando que ainda é comum nos meios de comunicação encontrarmos estereótipos como imagens sensuais de mulheres públicas, enfoques conservadores sobre problemas de saúde sexual e reprodutiva e situações de violência.

 

Em oito capítulos, o manual aborda temas como ‘As mexicanas no campo do jornalismo nacional’ (Capítulo 1), em que se discorre sobre a luta das profissionais mexicanas para ganhar espaço na mídia como diretoras, editoras, colaboradoras, articulistas e repórteres. “Novas realidades para o tratamento das notícias” é o título do capítulo dois. Cimac mostra que os meios comunicativos são uma leitura da realidade, que por meio de temas, programações e notícias escolhidas definem a agenda política e social.

 

No capítulo três, ‘Discurso dos meios’, o relatório aborda os fatores que interferem na construção de uma notícia. “É possível mudar o sistema produtivo dos meios e fazer um espaço dentro do discurso midiático que dê o protagonismo às ações das mulheres?”, questiona Cimac neste capítulo. Na parte quatro: “A notícia não tem sexo, tem gênero”, o manual esclarece o que é a aplicação da perspectiva de gênero nas informações.

 

O capítulo cinco, ‘Colocar o A não basta’ trás uma abordagem sobre linguística e gênero. O seis, ‘Novos conceitos, novas palavras’, expõe como palavras e conceitos usados hoje se originaram na luta de mulheres para acabar com todas as formas de discriminação contra elas. ‘O jornalismo não sexista como uma especialização’ (parte sete) mostra como a introdução de perspectivas de gênero nas notícias “gera um aspecto inovador de olhar, de interpretar a realidade com outros olhos”.

 

Ao final dos sete capítulos, Cimac propõe exercícios práticos com o intuito de ajudar os profissionais a exercerem no dia a dia um jornalismo não sexista. Tema semelhante ao do capítulo oito ‘Mudanças de estilo para realizar um jornalismo não sexista’, em que se apresentam propostas para ajudar o jornalista a não praticar discriminação linguística ao escrever uma notícia e a utilizar o masculino genérico.

 

O Manual completo pode ser visualizado em espanhol no link: http://www.cimac.org.mx/cedoc/publicaciones_cimac/hacia_la_construccion.pdf

 

Por Natasha Pitts, da Adital

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