Mahana, o Taiti e o futuro da ilha paradisíaca

 

Pedro Neves, de Paris

No sul do Pacífico existe uma ilha chamada Taiti, a maior da Polinésia Francesa com 45 quilômetros de ponta a ponta. São menos de 200 mil habitantes que possuem tradições como o Haka, famosa dança dos povos da Oceania. No século 16 ficou famosa na Europa, após uma expedição que resultou em um livro definindo a ilha como paradisíaca e, desde então, vem sendo explorada como diversas outras “colônias europeias”.

Os taitianos são considerados cidadãos franceses com plenos poderes civis e políticos, ambas as línguas taitiana e francesa são usadas na ilha. A economia deles é baseada na pesca, mas de uns anos para cá os peixes vem morrendo e o nível do mar aumentando, afetando diretamente o ambiente e fazendo com que muitos cidadãos percam seus empregos.

Mahana Terou, de 18 anos, está na COY11 com outros 35 jovens do Taiti. Eles vieram justamente para evidenciar os problemas climáticos da região. “Os peixes estão morrendo, a poluição só aumenta e o clima só esquenta. Isso nos assusta muito, principalmente a juventude, se não começarmos a pensar em soluções agora, daqui alguns anos a ilha vai deixar de existir”, conta.

Ela tem dois irmãos mais novos e os problemas chegaram para dentro de casa, sua mãe trabalha em uma agência de viagens, enquanto seu pai está desempregado. “A crise econômica no Taiti fez com que muitos perdessem seus empregos, por isso, lutamos para que as coisas voltem a ser como antes. Nossa luta é para mostrar ao governo que precisamos pensar na população, não só em políticas econômicas”, diz.

“Precisamos pensar nas próximas gerações, nossos filhos não podem ter a cabeça fechada e aceitar tudo que lhes é dito. Nossa luta é solidária, acreditamos que juntos conseguiremos mudar o cenário e fazer do Taiti uma ilha para o Taitiano e não para os europeus”, explica otimista.

A grande questão são os atos da população, mas o poder da juventude é a luz que falta para os Taitianos, os mais velhos começam a olhar para eles com outros olhos: “Nossas ações estão surtindo efeito nos mais velhos, eles enxergam que a juventude está engajada por mudanças e acabam entrando junto na luta. Tudo começa em nossas atitudes, a juventude precisa ser um exemplo. Nossa missão é difundir tudo que vimos na COY11 e mostrar que sim, existe uma solução, basta nos unirmos pela nossa terra. Se você não é um exemplo, o governo vai continuar cometendo erros. A mudança parte da juventude, o futuro da ilha”.

Apesar de não participarem da COP21, Mahana tem esperança que a conferência unirá pessoas e despertará um objetivo único: “Espero que a COP21 desperte um bom senso coletivo sobre o planeta, precisamos parar de querer sempre mais e começar a pensar no que realmente precisamos”.

 

 

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