Mãe, avó e puta: peça de teatro sobre história de Gabriela Leite emociona público, em São Paulo

Vânia Correia (SP), da redação | Imagem: Guilherme Kadel, do Ministério da Saúde

A comovente história da prostituta Gabriela Leite é tema da peça teatral “Mãe, avó e puta – uma entrevista”, encenada por Alexia Dechamps e Louri Santos, sob direção de Guilherme Leme. O espetáculo, adaptado do livro homônimo, publicado em 2009, foi apresentado ontem à tarde (29) no 9º Congresso de Prevenção às DST e Aids e emocionou a plateia que lotou o auditório Elis Regina.

A trajetória da puta, como prefere se definir, marcada por uma série de episódios hilários, dramáticos ou surpreendentes, levou o público das gargalhadas às lagrimas, durante os 60 minutos de apresentação. Nascida numa família tradicional e após freqüentar o círculo dos intelectuais e artistas paulistas, Gabriela encontrou na prostituição a forma mais verdadeira de viver  a liberdade sexual.

Os preconceitos e as vulnerabilidades encontradas durante o exercício da profissão na Boca do Lixo, em São Paulo; na Zona Bohemia, em Belo Horizonte e na Vila Mimosa, no Rio de Janeiro, impulsionaram Gabriela a empreender uma luta pioneira pelos direitos das prostitutas e contra a aids. Internacionalmente reconhecida, é uma das mais importantes militantes políticas da área. Fundou a ONG Davida e foi uma das idealizadoras da grife Daspu.

Lições de vida

Ao final da apresentação a própria Gabriela se juntou aos atores para bater um papo com a plateia. A figura frágil e pequnenina disfarça, num primeiro olhar, a firmeza e a dignidade que se revelam já com as primeiras palavras. Emocionada, manifestou sua alegria pelo perfil do público que assistiu à peça. “É a primeira vez que a peça é apresentada para o movimento de luta contra a aids que eu tanto amo, estou muito feliz”, comemorou.

A atriz Alexia falou sobre os desafios de representar Gabriela. “Não é fácil fazer uma mulher com essa história, com tanta coragem. Somos muito diferentes e eu também não queria imitar os trejeitos dela, mas queria contar a história com o máximo de verdade”.

Nancy Feijó, da Associação de prostitutas de Pernambuco, e muitas outras profissionais presentes na plateia, agradeceram à inspiração e ao apoio de Gabriela para que se organizassem para reivindicar seus direitos.

Confira

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