Luz, câmera…na mão! Com vocês o Cinema Alternativo!

Amantes da sétima arte contam suas experiências na produção de cinema alternativo.

Vinícios Gallon, do Virajovem Curitiba,  Rones Maciel, do Virajovem Fortaleza, Bruno Ferreira e Eric Silva, da redação

Texto adaptado por Adriélly Santos

            Alguns estudiosos dizem que Cinema Alternativo é de uma forma de produção independente, com baixo custo de produção, desconhecida do grande público e, muitas vezes, com pouca bilheteria. Aí, surge O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, e joga essa teoria por água abaixo. Outros nem perdem tempo refletindo sobre o tema e dizem logo que essa arte é aquele tipo de filme feito pra galera indie que usa camisa xadrez. Mas há também quem renegue este rótulo, argumentando que um nicho menor não implica uma alternativa necessariamente, mas apenas uma segmentação de mercado. Talvez o único ponto de convergência que se fez entre os mais diversos olhares sobre esse gênero, é o fato de ser uma alternativa ao que há de mais industrial e hollywoodiano nas salas de cinema.

Em Curitiba, o cinema alternativo é bastante popular, praticamente toda a produção local é independente, tem um orçamento baixíssimo e muitas dificuldades de distribuição. O estudante de cinema da Faculdade de Artes (FAP) Gustavo Ulisse esboça o cenário atual do que anda se fazendo em cinema na capital do Estado.

“Aparentemente, o cinema paranaense está passando por um período de transição entre o que era há alguns anos e o que pode vir a se tornar no futuro. Essa divisão é bem marcada pela fundação da CINETVPR, que é o curso de cinema administrado pela FAP. Com o passar do tempo, alguns grupos de alunos do curso começaram a presentear seus primeiros trabalhos e se inserir dentro do cenário de produção local. Atualmente, alunos e egressos do curso produziram e estão produzindo através de editais e leis de incentivos. Alguns possuem filmes e, por eles, receberam prêmios. Existem até mesmo novas produtoras administradas por eles”, conta.

Gustavo ressalta ainda que a criação do curso não seja um caso isolado. Paralelamente a isso também houve o lançamento de longas-metragens de ficção, como Estômagos, Corpos Celestes, O Sal da Terra e Mystérios. Para 2012, 2 longas estão previstos para serem lançados: Circular e Gastronomia Urbano.

            Um bom exemplo de iniciativa que soube aproveitar as características mais populares do cinema alternativo foi a produção do filme Morgue Story- Sangue, Baiacu e Quadrinhos, do diretor de teatro e cinema Paulo Biscaia Filho. Esta produção de 78 minutos custou apenas 140 mil reais e teve ótima recepção da crítica, e sua estrutura foi comparada às produções de Quentin Tarantino. Quando se fala no valor utilizado achamos muito, mas podemos ver a diferença quando comparamos o quanto Hollywood gasta em média  com apenas 1  produção :  o equivalente a 90 milhões de reais.

“A produção daqui não é nenhuma maravilha. Estamos fora do eixo, existem pouca política pública e incentivo financeiro para a área. Por outro lado, nos grandes centros, como Rio e São Paulo, a concorrência e muito maior. Então, temos que aproveitar o que temos a nosso alcance” relata o diretor.

Pois é pessoal, deu pra perceber que quem quer dar a cara e mostrar seu talento de forma criativa, pode contar com mais essa opção que é o cinema alternativo  porém, há algo a ser melhorado, a sua visibilidade. Por exemplo, a ONG – Academia de Ciência e Artes (Acartes), de Fortaleza que produziu o filme Poço da Pedra, adaptação da obra de Geraldo Damasceno. Um dos diretores disse que o grande desafio das produções ainda é a exibição “A gente está produzindo muita coisa legal, mas ainda não temos acesso às televisões e às salas de exibição. O Cinema de Rua acabou. Agente tem hoje as salas que estão nos principais centros, mas estes espaços são dominados pelas grandes distribuidoras, notadamente internacionais. Não sobra espaço para a produção audiovisual brasileira. Penso que um gargalo a ser superado é encontrarmos um sistema alternativo de distribuição.”

Aos grupos que desejam produzir Cinema Alternativo, Geraldo Damasceno dá a dica:

“É necessário formar grupos de estudo e criar parcerias entre os diversos Pontos de Cultura. Um que saca mais de roteiro, outro mais de produção, outro é mais diretor. Dessa forma, a gente pode trocar experiências e, de certa forma, todos os grupos serão beneficiados e todos nós resolvemos os nossos problemas e os gargalos de produção.”

A  íntegra da reportagem você confere na edição 74 da vira, disponível no link:

www.issuu.com/viracao/docs/ed_74   

Adrielly

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