A LGBTfobia é responsável pelo ataque à boate gay de Orlando

Ethel Rudnitzki | charge: Beliza Buzollo

Esse domingo (12) teria sido de comemorações ao amor: dia dos namorados no Brasil e final de semana do Orgulho LGBT nos Estados Unidos. Porém, após o ocorrido em Orlando, virou um dia de luto.

Um ataque a tiros na boate gay Pulse matou 50 pessoas e deixou 53 feridos na cidade da Flórida. A organização terrorista autointitulada Estado Islâmico reivindicou autoria do atentado e o atirador declarou sua fieldade ao grupo momentos antes de começar a atirar. Porém, segundo seus familiares, o crime estaria mais associado à homofobia do que a motivos religiosos. O pai do rapaz disse que ele ficou transtornado meses antes após ver dois homens se beijando. O FBI ainda investiga os motivos do crime.

O ativista da causa LGBT, Diego Callisto, não considera relevante o envolvimento do atirador com o grupo terrorista. “Acredito que atentados como esses acontecem em menor escala cotidianamente nos mais diversos lugares do mundo, temos LGBT’s morrendo todos os dias e isso por si só já deve ser motivo pra lá de suficiente para que a pauta LGBT seja parte da estrutura política de qualquer governo comprometido com os direitos humanos.”

Seja por inspiração de extremismo islâmico ou não, o ataque feriu diretamente a comunidade LGBT, que já sofre diariamente com preconceito e ódio. Um exemplo da LGBTfobia forte nos EUA é o discurso do pré-candidato à presidência Donald Trump. Com um número avassalador de eleitores, ele é contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo (legalizado ano passado no país pelo atual presidente Barack Obama) entre outros posicionamentos preconceituosos. No Brasil esse ódio também é comum e bastante representado no Congresso; recentemente foi aprovado na Câmara o estatuto que define família apenas como a união de homem com mulher.

Comentários preconceituosos sobre o ataque | post de Jandira Feghali
Comentários preconceituosos sobre o ataque | post da deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) no Facebook

Além da LGBTfobia, o ataque em Orlando suscitou mais uma discussão sobre o armamento nos EUA. O porte de armas é garantido pela 2ª emenda da Constituição estadunidense e esse direiro é praticamente inquestionável por lá. Porém, essa cultura do armamento pode facilitar a ocorrência de crimes como o de domingo.

O massacre na boate gay de Orlando foi o pior ataque a tiros da história dos Estados Unidos, mas o 173º desse tipo esse ano. Foi também, o primeiro atentado dessa magnitude contra a comunidade LGBT. Contudo, diariamente gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis são ofendidos, agredidos e mortos, seja por terroristas islâmicos, fundamentalistas cristãos e de outras ordens, ou políticos mundo afora.

Para a artista do movimento LGBT, Beliza Buzollo: “Um ataque como esse é um cruel aviso do quanto nós LGBT ainda estamos vulneráveis ao ódio, do quanto ainda temos que lutar para que nossa mera existência não apresente um risco às nossas vidas. Não podemos permitir que esse ataque seja sequestrado e mascarado pelo véu do terrorismo. Esse massacre é mais um exemplo do que essa cultura de permissividade ao ódio contra LGBTs é capaz de criar. Lutar pelo direito de existir continua mais importante que nunca.”

Ethel Rudnitzki
Redatora e repórter na Agência Jovem de Notícias

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