Juventudes e Subnacionais: um ‘match’ pelo clima

Esperar atitudes do governo Bolsonaro para conter a crise climática não é uma opção. Enquanto eles trabalham para “limpar” a imagem do agronegócio brasileiro, agentes regionais, juventudes e a sociedade civil dialogam por soluções efetivas.

Por Mirela Coelho, articuladora do Engajamundo


Sexta-feira, 05 de novembro, foi o dia da juventude e engajamento na COP 26 – vigésima sexta Conferência de Clima da ONU. E no Brazil Action Climate Hub, o  Engajamundo promoveu pela manhã o  painel “Juventudes e Subnacionais: um match pelo clima”. O objetivo do evento foi criar um espaço informal de diálogo entre juventudes e atores federais e subnacionais para que fossem encontradas convergências de atuação e oportunidades de apoio mútuo. Participaram da mesa a deputada  federal Tábata Amaral, a fundadora do Clima  de Eleição, Beatriz Pagy, e Camila Pontual, representante da Secretaria de Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

Durante a conversa, Tábata Amaral ressaltou a responsabilidade do governo federal em apoiar iniciativas e financiar projetos ligados à educação ambiental e a empregos verdes, destacou a importância da  mobilização jovem para fiscalizar  as ações na base e pressionar os deputados, e afirmou que a agenda climática não pode ser colocada como pauta da elite.

Camila Pontual dissertou um pouco sobre a atuação do Rio de Janeiro na pauta climática e expôs a intenção da cidade em criar a maior horta urbana comunitária do mundo no parque Madureira. Ela também trouxe para discussão o protagonismo jovem nos processos de tomada de decisão e disse que “o legislativo, executivo e judiciário precisam abrir as portas para as juventudes”.

Seguindo a discussão, Beatriz Pagy falou sobre a importância da capacitação e profissionalização das juventudes para que incidam efetivamente nas decisões climáticas. Para ela, os jovens precisam entender bem a pauta para não servirem de massa de manobra.

“Temos que evitar cair nas soluções fáceis.[…] Estamos falando de um novo sistema de produção e social, temos que internalizar essa narrativa e fiscalizar!”– ressalta Beatriz, olhando especialmente para as eleições do ano que vem.  Para ela, devemos  entender como conectar todas as práticas já existentes em volta de um novo modelo de sociedade.

A mobilização da sociedade civil é muito importante nesse contexto de crise climática,  na  visão de todas as participantes. Tábata Amaral destacou que quanto menos uma pauta é debatida pela população, pior é o resultado de uma votação no congresso nacional.

No final do evento, a delegação do  Engajamundo entregou aos participantes os seus pontos de lobby para a conferência, que passam pelas temáticas Net zero, NDCs (Compromissos Nacionalmente Determinados), SDCs (Compromissos Sub nacionalmente Determinados), financiamento climático e mercados de carbono. Espera-se criar, tanto com as participantes como com outros atores brasileiros, um relacionamento amigável e colaborativo.

Nessa COP, o Engajamundo entendeu a necessidade de ser mais estratégico e focar os esforços de lobby em atores regionais, considerando a postura do governo brasieliro de não dialogar com a sociedade civil. Entretanto, não é uma opção ficar parado esperando a vontade do governo Brasileiro em agir contra a crise climática.

A COP 26 está acontecendo e o Brasil continua numa tentativa falha de limpar a imagem do agronegócio, apresentar as florestas como oportunidades econômicas e se esquivar das críticas. Enquanto isso, figuras subnacionais, sociedade civil e as juventudes estão na conferência realizando diálogos estratégicos e representando verdadeiramente o Brasil.

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