Juventudes: “Delays” e Relacionamentos

É através dos atos sociais de comunicação que o indivíduo é capaz de significar os seus atos e pertencimento no mundo, sejam repensando suas práticas e seu discurso.

Por Reynaldo de Azevedo Gosmão

As tecnologias têm revelado coisas óbvias e importantes!

Assistindo uma live, uma entrevistada dizia: “está com um delay no som”, a tradução da palavra delay é atraso. Achei fantástico esse ponto para pensar se existiria uma conversa ou relação com sintonia precisa? Eu quero, eu posso, eu consigo; eu quero, você faz e eu consigo; você quer, eu faço, você consegue.

Imagem de Steve Buissinne por Pixabay

Podemos destacar três delay’s diferentes:

o primeiro diz respeito a uma marca subjetiva, estrutural, na qual alguns sujeitos manejam os desejos através da perda (a busca da satisfação pelas vias da insatisfação, do objeto perdido);

o segundo delay se dá através dos manejos sociais que regulamenta os atrasos pela lógica dos momentos ideais – “idade para casar, ter filhos, ficar rico”;

e o terceiro e último, são os comuns da própria relação e da linguagem, onde alguns sentidos só poderão ser tomados depois de um tempo, “só agora, posso entender o que ela me disse”.

Marcamos as relações através do imaginário social que diz: “relacionamento bom é o que tem reciprocidade, sintonia ou que tem o encaixe perfeito”, mas como haver reciprocidade, sendo que nos encontros há tantos desencontros?

Bem aventurado quem navega em suas relações disposto a lidar com os “delay’s” e os desencontros. Bem aventurados os que somam as partes sem fazer do encontro um número totalizante.

Imagem destacada: Jezael Melgoza on Unsplash

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