Juventude rural: Confira o balanço das discussões no seminário nacional


Após três dias reunidos, em Brasília, discutindo os desafios e perspectivas das políticas públicas para juventude do campo e da floresta, os mais de 150 jovens e membros do governo que participaram do evento, acompanharam a mesa de encerramento, onde pesquisadores apresentaram um balanço das questões levantadas durante o encontro.

A apresentação da síntese das questões abordadas no seminário final ficou por conta dos professores Valmir Luzi Stropoles, da Universidade Federal de Santa Catarina e Marilda Menezes, da Universidade Federal de Campina Grande, que após uma escuta atenta e um trabalho intelectual puderam apontar pontos comuns e as divergências entre os movimentos que atuam na área.

A síntese foi organizada em quatro blocos distintos: Contexto e realidades juvenis do campo e da floresta;  Modelo de sociedade; Dimensões das políticas públicas na área e Identidade dos Jovens Rurais.

Contexto e realidades juvenis

Cerca de 8 milhões de jovens ainda vivem em áreas rurais. A região norte e nordeste concentra a maior parte deles, no entanto, é justamente os locais onde as políticas públicas são mais precárias. De acordo com o próprio governo, ainda existe uma dificuldade de se chegar nessas regiões.

Dados mostram uma continuidade dos processos migratórios e o grupo etário que mais migra atualmente, é a juventude. Destaque para a migração ainda maior das mulheres, que veem na cidade a única oportunidade de estudar e criar perspectivas profissionais, pessoais e sociais, que no campo lhe é mais precária que para o homem.

A dificuldade de infraestrutura, ausência de posse, de renda; a frágil estrutura de equidade social no campo, aspectos que dizem respeito aos padrões culturais e familiares de patriarcado e os projetos de vida dos jovens rurais que envolvem o desejo de outras profissões, não apenas agricultura, são alguns dos fatores elencados para explicar a migração dos jovens.

A professora destacou a diversidade observada entre jovens rurais. “É preciso atentar para o fato de estarmos falando em juventudes rurais e não de Juventude”. Além disso, falou da importância dos movimentos sociais do campo se revitalizarem e garantirem a participação dos jovens. Questão levantada muitas vezes, pelos jovens, durante o seminário.

Sociedade alternativa

Os jovens do campo e da floresta também não querem falar apenas de políticas públicas específicas para a juventude. Desejam também disputar e construir um outro modelo de sociedade, que se contraponha ao modelo capitalista, concentrador, injusto e desigual. Neste aspecto, a democratização do acesso à terra, via uma reforma agrária ampla e efetiva, o incentivo à agricultura familiar, modos de produção sustentável, aparecem como pontos fundamentais.

Aqui aparece alguma divergência entre os movimentos presentes no seminário. Enquanto alguns consideram possível a convivência do agronegócio e da agricultura familiar, outros defendem radicalmente que isso seria impossível e que é preciso superar o agronegócio.

Mas o proposta apresentada e defendida pela juventude é um projeto alternativo de desenvolvimento sustentável que envolve uma noção do meio rural, sustentada de que  o campo é espaço de vida e trabalho, cujo centro são sujeitos não as maquinas. Críticas do modelo monocultor e valoriza dos saberes dos agricultores para produção sustentável – uso sustentável dos recursos naturais. No seminário acontecem varias criticas e protestos em relação ao código florestal.

Na construção desse modelo alternativo de sociedade, juventude não pode ser apenas um tema transversal. Para os jovens, presentes no seminário, a juventude deve ser um tema específico, alvo de políticas estratégicas para o desenvolvimento sustentável.

Dimensões das políticas públicas

O Professor Valmir Luzi Stropoles destacou que o conjunto das atuais políticas públicas para a juventude rural, não dão conta de atender às demandas e necessidade das Juventude do campo. Pontuou a importância de conciliar ações de dimensões mais estruturais, com ações emergenciais e  pontuais. A demanda de recursos públicos para ações voltadas para juventude rural é emergente atualmente o plano plurianual garante R$0,70 por jovem no campo.

Outro ponto importante levantado foi a necessidade de integração entre o governo, movimentos sociais e pesquisadores da área, a fim de criar maior diálogo e participação para resolver as questões da juventude que é multidimensional.

O direito à diversidade sexual foi apontado como um tema esquecido, não só na dimensão das políticas públicas, como pelas entidades representativas.

 

Documentando

A Secretaria Nacional de Juventude lançará um livro sobre juventude rural. Além de artigos de pesquisadores convidados, a Secretaria lançará um edital para selecionar até cinco artigos de jovens pesquisadores do tema. O livro deve reunir informações e reflexões que subsidiem a construção de uma política nacional de juventude no campo e na floresta.

O processo de registro do seminário e das questões da juventude rural, conta com a produção de um vídeo-documentário, realizado por Beto Novaes que colheu diversos depoimentos durante o evento.

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