Juventude empreendedora: todo empreendedor é bem sucedido?

Por: Jefferson Rozeno e Fernanda Sousa da Agência Jovem de Notícias/ Foto: Freekpic

O empreendedorismo tem sido um dos meios onde pequenas idéias se tornam grandes negócios. Prova disso é a maior feira de empreendedorismo da América Latina,feira do empreendedor, realizada pelo Sebrae na cidade de  São Paulo, entre os dias 07 e 10 de Abril.

Considerada uma área associada à inovação, o empreendedorismo ainda possui processos tradicionais e conservadores, assim, sempre se mostrou distante da juventude. Se tornar realizador da própria idéia é a  ‘’bola da vez’’ entre os jovens, tanto que a maior parte dos casos de sucesso apresentados na feira foram realizadas por essa nova geração, desconstruindo a ideia de que a jovem não pode empreender.

Os casos de sucesso estavam por todas as partes e entre eles encontramos a Tflow, uma marca bem sucedida criada por um jovem de 19 anos que investiu em estampas de camisetas e hoje é conhecido por dar vida a marca que veste os famosos.

O Diretor comercial da empresa, Wilton Vicente, nos conta o quanto é importante esse tipo de evento e como o jovem empreendedor pode e deve colocar em prática suas idéias ‘’Vocês estão neste mundo para brilhar e não ser como a maioria’. [Na Tflow] independente de qualquer coisa a gente valoriza as pessoas. Se ela gosta do que faz se junta com a gente que é sucesso’’.

Embora o discurso apresentado em grandes feiras de empreendedorismo e no próprio meio privado seja de elevação do potencial da juventude, na prática a conversa tem um outro lado. É o que conta a jovem Thalita de Jesus, de 18 anos, que hoje atua como Jovem Aprendiz. “Esse assunto é muito complexo, as empresas não vão abraçar e acolher todo mundo, abrindo um leque de oportunidades, até porque as empresas infelizmente possuem um padrão”.

Thalita é jovem, mulher, negra e vê nessas combinações a falta de oportunidades no mundo do empreendedorismo e no mercado de trabalho. “A gente ainda sofre muito preconceito, por mais que estamos tentando superar, isso é algo que ainda acontece muito, eu culpo a falta de empatia com o próximo e isso reflete tanto no mercado de trabalho quanto no meio empreendedor.”

Um dos principais desafios da juventude no meio do empreendedorismo está ligado justamente à falta de apoio, seja por parte da família e amigos ou até mesmo à baixa motivação e auto estima, que faz com que a pessoa não acredite no sucesso de sua ideia.

Um outro caso de destaque na feira é o ‘’Premia pão’’, que produz e distribui embalagens de pão com publicidade e ações promocionais. Os idealizadores usaram uma idéia que já existia no mercado e buscaram inovação.

O criador da ‘Premia pão’, Raphael Mattos, tinha uma carreira consolidada em uma empresa multinacional antes de criar seu negócio e conta as dificuldades que enfrenta o jovem empreendedor. “Ser jovem, ter uma ideia e colocar no mercado é uma combinação que não é nada fácil. Eu acredito que o duvidoso pode ser arriscado, mas se você tiver empenho e acreditar nisso vai dar muito certo. Se não der certo é porque você não tentou o suficiente. ’’

Embora o mérito seja um fator importante em um empreendimento de sucesso, vale destacar que não é o único. A falta de oportunidades e a desigualdade enfrentada por jovens, principalmente jovens negros(as), LGBT, periféricos(as), são fatores que potencializam as dificuldades, gerando maior desequilíbrio.

Sim, os jovens estão ganhando espaço e garantindo cada vez mais cedo a independência e voz na sociedade, mas é extremamente importante afirmar que essa juventude não representa todas as juventudes. O privilégio ainda se concentra na mão de pessoas que, muitas vezes, não precisam se preocupar com a possibilidade de falhar.

Feiras e convenções oferecem a possibilidade de conhecer bons exemplos e referências de empreendimentos realizados por jovens, entretanto é necessário analisar e entender quem é essa juventude que empreende no Brasil, e a partir desse conhecimento, gerar oportunidades iguais e que garantam equilíbrio econômico, social e cultural em um país estruturalmente racista, machista e homofóbico.

 

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1 Comentário

  • Eu percebo é que há muitas vezes, o afã de pessoas até os 40 anos serem chefes, temerem a experiência dos mais velhos e, deixando de conhecer a História do Mercado de Trabalho. Como se o notebook e smartphone sempre existiram. Trabalhei com grupo de engenheiros que aprenderam na Faculdade, recursos modernos na área e tiveram que se deparar com manutenções prédiais de construções que tinham a mesma “idade deles”; muitos operários levavam a eles a história das construções! E a automação trouxe a necessidade e a era: do conhecimento! Mesmo as chamadas profissões liberais: escritórios de advocacia e consultorios médicos, por exemplo. Não basta criá-los se quem for atendido Não sentir a preparação técnica do profissional! Fui numa ocasião num “gastro” pelo que havia na página do Facebook dele e, pensei que poderia trocar idéias com ele sobre questão genética na área dele, mas conclui que a página foi criada sem supervisão técnica dele e, que ele nem teria condições de fornecer, quando buscou eu dar “uma colinha” sobre as enzimas hepáticas a serem pedidas no exame! Não tenham medo do trabalho em equipe e, nem de buscarem informações! E ouço muito aquela onda do chamado “loja R$ 1,99”, ou seja startup, gastronomia, desenvolvimento de sistemas. Não digo que não sejam áreas importantes, mas as necessidades humanas para consumo, são maiores!

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