Jovens relatam suas experiências na Teia, em Embu das Artes

Muita coisa boa está acontecendo em Embu das Artes durante o I Teia Regional – Oeste, que reúne municípios da Grande São Paulo. Confira alguns relatos da galera da Agência Jovem de Notícias que está acompanhando o evento bem de perto desde sexta-feira, 20 de maio, até domingo, dia 22.

 

“Essa história não é só minha

Ela é de todos nós

Ela é de todos nós”

 

Gabriela Santana Domingos – 17 anos

“Eu sempre tive uma ideia pré-formada sobre tudo o que acontece num terrero e é incrível que em poucos minutos você desconstrua 17 anos de pensamentos. Ver o porquê e o pra que tudo aquilo é feito foi maravilhoso, ver a alegria e o amor que eles tem pela religião em todos os seus aspectos – tanto espiritual, quanto cultural – me fez perceber que é necessária a vivência – mesma que pouca – daqueles rituais para desmistificar tudo o que eu tinha de preestabelecido”.

 

Henrique Souza – 17 anos – adolescente comunicador e orgulhoso por participar da Agência Jovem de Noticias.

“Pra mim hoje (21/05) foi o melhor dia, participei de várias brincadeiras, exercícios e me senti livre enquanto estava com meus colegas. Até mesmo o fato da não conhecer as pessoas não me incomodava nem um pouco, pelo contrário, dava mais curiosidade e vontade de participar de tudo. Entrevistei pessoas simplesmente ótimas. Vivi momentos que não esquecerei jamais: saídas com conversas inteligentes, risadas e medo. Confesso que, com um pouco de cansaço, tive o prazer de vivenciar varias apresentações em todo o Parque do Rizzo (ou seria Riso?!) . Por min não iria embora, pois por um momento senti que todos eram iguais, brancos, negros, indígenas, estrangeiros e religiões que com certeza respeitarei bem mais”.

 

Felipe de Camargo e Aleska Drychan – 17 anos

Cara, pudemos ver o grupo de crianças Pontinha Bloco do Beco, que fez uma apresentação de maracatu e mostrou a cultura pernambucana, todos se juntaram com um grupo de capoeiristas, os dois grupos se apresentaram juntos. Logo após, o pessoal do espetáculo Circo Circense fez uma super apresentação, irada, e todo o público que assistiu se divertiu e participou do evento, indiferentemente de cor, raça, sexo, estilo e opinião: MORÔ?

 

Verônica Mendonça da Silva (porque, além de filha da mãe, eu também sou do pai) – 19 anos

Para mim, Embu das Artes antes da chegada era uma incógnita. Ok, “das Artes”, mas que tipo de arte? Quem faz essa arte? Eu tô indo pra Teia de cultura, mas… que cultura? Quem vai estar lá? Onde a gente vai dormir?… Tantas perguntas. Nenhuma resposta.
Oito horas da manhã de sexta-feira (20/05). “P*, tô atrasada”, pensei enquanto na linha azul do, como sempre, metrô lotado de São Paulo. Chegada. Chegadas. Lanche. Ônibus. Música. Sol… Me disseram que ia fazer frio, droga!
Chegamos. No celular “Bom Dia! Embu parece uma cidade cinematográfica rs. Acompanha a cobertura em www.agenciajovem.org. Beijo” foi a primeira mensagem que mandei para um amigo que não pode vir e a resposta, dentre outras linhas, foi “Que lindo. Curte muito”. Me senti privilegiada e, para olhar em volta, saí pra dar uma volta, literalmente. Artesanato. Roupas. Comida. PESSOAS. “Que rico fazer parte disso”, pensei.
Solzinho bom, conversa tranquila e um monte de coisa pra fazer. “Não vamos deixar acumular matéria!”. Ok, lá vamos nós escrever… “O excelentíssimo fulano-de-tal analisa que a Teia é uma ótima oportunidade para se construir conhecimento”. Clica aqui. Põe imagem. Seu texto foi publicado com sucesso. Ver postagem. “Que lindo! É como um filho!” e eu no meio de tudo! O “que rico fazer parte disso” me acometeu novamente… Tanta gente por aí sem nem saber que isso tá rolando e eu aqui, protagonizando do meu jeito. Tanta gente em tantos outros mundinhos privados e eu aqui, aprendendo nesse mundão de culturas, não mais ou menos nobres que a minha, mas também culturas. Eu poderia hoje estar com a minha família, em São Paulo, mas escolhi estar aqui e por isso aqui estou.
“O grande espírito que está em mim saúda o grande espírito que está em você” resume o meu respeito e admiração pelo que está acontecendo aqui e acredito que esse seja o sentimento que permeia todos os presentes”.

 

Mauri Dias de Sales – 18 anos

“Neste sábado de manhã, em Embu das Artes, tivemos ações culturais em alguns pontos da cidade. Em cada ponto foram feitas apresentações culturais. Uma das apresentações que mais me impressionou foi da OCA, que trouxeram brincadeiras simples de um povo esquecido pela juventude. Foi muito bom, valeu a pena”.

 

Felipe B. Lopes – 17 anos
“Hoje foi incrível, pois eu não imaginava encontrar coisas tão humildes e ao mesmo tempo tão chique. Eu estive presente em uma oficina no Parque do Rizzo, onde uma organização chamada OCA-Carapicuiba estava ensinando, ou melhor, resgatando brincadeiras maravilhosas que exercitavam o corpo e a mente, além de serem muito divertidos. Teve um brinquedo chamado “barangandão”, muito show (!), que você mesmo fazia com as cores que você queria, e era feito com papel crepom, jornal e cordão, que parecia com um busca pé ou um treme terra, esses usados nas festas, a diferença é que não tinha perigo nenhum, pois não tinha fogo, você gira e faz uns movimentos muito marah e também jogando para o alto. Teve também uma brincadeira chamada “futebol com garrafa”, muito loko, que você colocava as garrafas espalhadas pelo chão, cada um com sua garrafa tinha o objetivo de derrubar a garrafa do outro e proteger a sua garrafa, isso foi muito maneiro eu me diverti muito… Velho, essas brincadeiras são tão sadias e divertidas e de uma simplicidade impressionante, pois hoje com a tecnologia nos esquecemos de brincar exercitando o corpo, a gente só fica na frente do computador ou videogame, mas essas brincadeiras são muito, muito boas e divertidas.
Pow, e quando falei com os índios, uma coisa que não imaginava fazer, e eles são muito legais, eu pensei que eles não usavam a net, mas eles usam e sabem até mais do que eu…um deles me falou algo que nunca vou esquecer: “As cobras grandes não vão atrás das presas, mas as presas vão ao encontro das grandes cobras, e isso quer dizer que se nós somos pessoas boas, vamos atrair coisas boas, mas se somos maus, atrairemos coisas más”. Bu’u.

Resumindo, nunca achei tão interessante saber sobre outras culturas da região e do Brasil mesmo, mas agora sei que é fantástico. Não podemos perder isso, mesmo que tenhamos i-phone e todas as tecnologias devemos continuar privilegiando nossas culturas naturais, que são nossa marca e a identidade do brasileiro”.

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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1 Comentário

  • Abençoado dia que nasceu cada jovem destes. Ao ler o comentário da Gabriela, deu sentido a varias coisas.Muitas coisas como a dificuldade da secretaria de cultura entender a nossa cultura.
    A dificuldade de manter oponto, de estar na Teia
    O que interessa é que a Gabriela e outros jovens estiveram com a gente
    Kota Mulanji

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