Jovens portugueses voltam a organizar Greve Climática Estudantil

Jovens comunicadores portugueses participaram da Greve Climática do dia 19 de março naquele país, e escreveram sobre essa experiência e as motivações da greve estudantil no primeiro texto do núcleo português da AJN.

Por Núcleo AJN – Portugal

Os jovens portugueses, juntando-se ao movimento “Fridays for Future” internacional organizaram o grupo Greve Climática Estudantil, pela Justiça Climática. A mais recente atividade foi a greve climática de 19 de março, que juntou centenas de jovens de várias zonas do país em eventos online ou presenciais.

O símbolo da greve foi o relógio, de modo a alertar para o facto de faltarem menos de 7 anos para ser atingido o Orçamento do Carbono, com base no Climate Clock, tornando-se impossível não se atingir o aumento de 1.5ºC.

Os jovens portugueses voltaram a sair à rua, mesmo que, muitos deles, só o tenham feito através das redes sociais, devido às restrições pandémicas que se fazem sentir. Falamos com alguns jovens para perceber se participaram na greve e as suas razões:

O núcleo da área de Aveiro realizou ações tanto on-line como presenciais, estas divergiram desde o “Museu do caos climático”, até atuações, passando por um debate. O “Museu do caos climático” consistiu na exposição, através de computadores e tablets, de diversos desastres climáticos (secas, incêndios, ciclones, cheias), derivados da crise climática que estamos a enfrentar. Os elementos desta ação distribuíram-se por dois parques da Cidade (Fonte Nova e Rossio) em silêncio havendo alguns que explicavam a situação, e o porquê desta luta, a peões que se mostrassem interessados. De seguida realizaram-se as ações on-line, um debate onde foi discutido o tema “Porquê falar em crise climática em plena crise pandémica?” e por fim, atuações feitas por membros do coletivo. As atividades na nossa cidade envolveram assim ações informativas, de reflexão e também artísticas.

Testemunho de Cristina Dubert e Leonor Vidal

Na perspectiva de alguém que nunca participou na Greve Climática, considero que este movimento internacional é de extrema importância para todos os habitantes do planeta Terra. Como temos observado, a crise climática está cada vez mais evidente, o que significa que temos a responsabilidade de agir agora, ou seja, precisamos de começar a adotar práticas sustentáveis que assegurem o nosso futuro e o das próximas gerações.

Testemunho de Carolina Santos

Participei na última greve climática que aconteceu nas ruas do Funchal e antecedeu o início da atual Pandemia Covid-19. Considero este evento indispensável para a sensibilização e consciencialização social, bem como para a evolução global. Estamos longe e aquém daquilo que seria adequado, no que toca aos cuidados ambientais e o seu devido equilíbrio. Assim sendo, precisamos continuar a lutar, desconstruir e reconstruir tudo aquilo que estávamos habituadxs até então. Muito mais do que um protesto, um evento, ativismo é uma mudança pessoal e interna primeiramente, bem como em conjunto, mudança social e coletiva. A greve é um ato corajoso, que reivindica e marca com afinco o estado de emergência e calamidade que atravessamos. Vale protestar e gritar por mudança, na consciência individual de cada cidadão e cidadã, antes de mais, assim como a expansão conjunta.

Testemunho de Fábio Diniz

O que se exige?

A Greve Climática em Portugal, para além de ter envolvido centenas de jovens por todo o país em eventos presenciais e online, levou à criação de uma carta com exigências dos jovens, que foi assinada por variadas organizações como a Quercus, a ANP WWF, e partidos políticos como o Bloco de Esquerda, o LIVRE e o PAN. 

Este manifesto exige o cancelamento da construção do aeroporto do Montijo e da Portela e o cancelamento de expansão de portos, assim como a proibição da exploração de combustíveis fósseis em Portugal e a rejeição de acordos de livre comércio, como o UE-Mercosul.

Os jovens consideram que estas exigências terão um efeito positivo na luta pela justiça climática e no objetivo global de ficar abaixo do aumento de 1.5ºC na temperatura, em relação a níveis pré-industriais; esperando que os decisores políticos levem em conta as preocupações dos jovens portugueses.

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