Jovens fortalecem laços para enfrentar o HIV/AIDS no PA

Com a colaboração de Marineia Ferreira, da Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia

Segundo a UNAIDS, colocar um ponto final na epidemia de aids é mais do que uma obrigação histórica para com as 39 milhões de pessoas que morreram da doença e afirma que “por fim à epidemia de aids inspirará esforços mais abrangentes na área da saúde global e do desenvolvimento internacional, demonstrando o que pode ser alcançado por meio da solidariedade global, ações baseadas em evidências e parcerias multissetoriais.”

Caminhando no mesmo sentido a Rede Jovens + Pará (articulação estadual da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens vivendo com HIV/Aids – RNAJVHA) e a Pastoral da Aids (CNBB/Norte 2), realizaram de  25 a 28 de agosto o Seminário Juventude (é) Vida na Amazônia e o II Encontro Estadual de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids (EEAJVHA), que teve como tema “Há de se cuidar da vida”, com objetivo de discutir informações estratégias com adolescentes e jovens do Pará e Amapá, em temáticas relacionadas à juventude, HIV/aids e hepatites virais, bem como a disseminação de ferramentas e elaboração de estratégias de participação e a autonomia desta população em resposta à epidemia.

Durante todo evento os/as participantes puderam ter acesso à partilha de saberes, exposições temáticas, trabalhos em grupo, exibição de filmes e debates sobre a importância do enfrentamento ao HIV/aids. Das pessoas inscritas no evento, 64% delas são soropositivos. Desses, 41,7% descobriram a doença com idade entre 18 e 24 anos, a dificuldade de acesso a informações é um fator que interfere no tratamento.

O movimento social tem desenvolvido um papel fundamental no sentido de levar conhecimento, possibilitando um acolhimento aos soropositivos, como relata o participante P. A, de 17 anos, que há oito meses é acompanhado pela ONG ParaVidda. Ele conta que ficou abalado quando sobre do resultado do teste, feito em um Centro de Testagem e Acolhimento (CTA): “Quando o resultado saiu, deu positivo. Eu sentei na calçada e pensei: como vai ser a minha vida daqui pra frente? As pessoas vão me julgar? Eu vou morrer? A minha mãe já não é mais presente. Naquele momento eu pensei em acabar com a minha vida, mas depois eu encontrei a ONG, onde eu encontrei uma nova família, o que foi um recomeço para fazer as coisas melhores.”

Sabe-se que o enfrentamento à aids nos espaços é ainda pequeno diante de tantos casos que vêm sendo diagnosticados, muitas vezes sem o devido cuidado emocional para com o paciente. Para Jandira Silva, assistente social da UREDIPE (Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais), “esses encontros é para fortalece os jovens soropositivos na compreensão de que eles são sujeitos e a condição de adoecimento é só mais uma particularidade e que eles precisam criar estratégias coletivas para fazer o enfretamento à exclusão, estigmas e à tentativa de desqualificação do serviço de saúde. A política de saúde que os atende é de suma importância”.

O último dia do encontro foi voltado para que os/as participantes se reunissem em grupos para apontar estratégias de atuação no Estado e nos municípios. Além disso, elaboraram uma carta para solicitar ao poder público mais atenção aos adolescentes e jovens, bem como alertar sobre ameaças à saúde e aos demais direitos das pessoas vivendo com HIV/aids. No encerramento, houve avaliação e agradecimento entre as pessoas presentes, e também a entrega de mudas de plantas, ao som da música Sal da Terra, de Beto Guedes.

O jovem Gleison Silva, de 24 anos, do município de Redenção, destacou o seminário como uma experiência incrível: “Ver que há jovens nesta luta diária, tirar muitas dúvidas sobre estes assuntos, foi muito bom. Todos os jovens deveriam participar”. Para ele, “esse encontro mostrou que não precisamos deixa de sonhar, de busca nossos objetivos”.

 

Diego Teofilo
Historiador, educador do Instituto Universidade Popular e membro do Instituto Amazônico de Comunicação e Educação Popular - IACEP.

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