Jovens definem prioridades nos GTs

Por Alessandro Muniz (RN) e Evelyn Araripe (SP)

Os Grupos de Trabalho concentraram esforços e debates na tarde de ontem (10) para definirem quais são os pontos principais a serem defendidos pela juventude nacional com relação aos eixos da 2ª Conferência. Os debates continuam com os grupos elegendo a prioridade número um. Acompanhe algumas definições:

GT de Transporte

Apesar de menos procurado do que outros temas como Educação e Cultura, esse Grupo de Trabalho teve um debate bastante movimentado. Segundo Lais Elaine Rodrigues, 24 anos, de Pernambuco, o passe livre foi uma proposta bastante discutida, além da preocupação com a garantia de um sistema de transporte público integrado no país.

“O debate teve momentos acalorados pelos impasses entre os grupos partidários e rivais”, conta Marcelo Morais, de São Paulo. Após muitas horas de diálogo, os jovens conseguiram aprovar as prioridades que tratam do Passe Livre para juventude e para estudantes. A opção da maioria foi pela criação de um Conselho que faça o controle social do sistema de transporte do país e a criação de um sistema que integre diversos tipos de transporte.

GT de Cidade

O tema passa por inúmeras questões como planejamento urbano, infraestrutura, sustentabilidade e orçamento público. Além desses, também foram apontadas nos debates questões relacionadas a especificidades das grandes, médias e pequenas cidades, espaços públicos. O cuidado com o lixo, direito a moradia, além da discussão sobre a função das cidades também fizeram parte da troca de ideias no GT.

Segundo Johnson Yohansson, 20 anos, de Pernambuco, as propostas que vieram das estaduais contemplaram bastante as discussões, sendo preciso apenas acrescentar alguns detalhes para fortalecer as sugestões.

GT de Campo

Com alguns atrasos causados pelo espaço insuficiente para o número de participantes e calor excessivo, o GT do Campo conseguiu dar prosseguimento às atividades. A agricultora Andreia Farias, 27 anos, do Alagoas, comentou que foi um grupo bastante participativo e que contou com várias representações da juventude rural, entre elas da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, entre outros movimentos e organizações.

Devido à complexidade da realidade rural, os debates percorreram os mais diversos assuntos, desde o transporte para o jovem do campo poder ter acesso à saúde e educação, até a importância do crédito e das práticas empreendedoras, cooperativistas e associativistas. As três propostas prioritárias eleitas pelo grupo foram o Trabalho e Renda, a Educação e o Fortalecimento Institucional das estruturas que tratam de políticas para juventude.

GT de Comunidades e Povos Tradicionais

A diversidade de origens, culturas e suas demandas direcionaram o debate desse GT. Estiveram presentes as mais diversas representações: quilombolas, negros, indígenas e ciganos. Foram discutidos temas como o reconhecimento, regulamentação e demarcação dos territórios e participação dos povos e comunidades em sua própria educação.

A militante do movimento negro Vivian Silva, 29 anos, da Bahia, ressaltou a importância do combate às intolerâncias étnicas, raciais e religiosas. A necessidade da consulta dos povos e comunidades em todas as questões que afetem seus territórios foi uma das defesas feita pela jovem indígena Josiane Francisco, 28 anos, do Espírito Santo.

Houve também as pautas específicas de cada grupo. A dançarina e estudante cigana Barbara Piemonte, de 17 anos, São Paulo, disse que uma das necessidades do povo cigano é conhecer mais e se apropriar das discussões de políticas públicas. Para isso ela esteve presente!

GT Meio Ambiente

As discussões nesse GT começam com um impasse sobre o conteúdo do texto base. Com a sala lotada, os delegados não se sentiram contemplados com a sistematização das emendas de textos propostas etapas estaduais e se recusaram a discutir. “Eles não se sentiram reconhecidos naquele e mesmo com a intervenção de membros do Conjuve, os delegados não toparam continuar os debates”, explica Sarah Oliveira, do Rio de Janeiro, relatora do GT.

Apesar de toda a polêmica, e do texto base que, nesse caso, passou sem alterações, as discussões e definições das propostas prioritárias foram muito produtivas. “Os delegados tinham pautas comuns e se identificaram”, relata Sarah. Divididos em três grupos com dois subtemas de discussão cada um – Fortalecimento Institucional, Educação Ambiental, Participação, Pesquisa, Preservação e Trabalho – os delegados chegaram às três propostas prioritárias sem muitas dificuldades.

O destaque também ficou para as moções de repúdio aprovadas no GT. Entre elas a Carta da Juventude à 2ª Conferência Nacional da Juventude rumo à Rio+20, o repúdio à construção da usina de Belo Monte e a favor do veto do Projeto de Lei do novo Código Florestal.

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