Jovens da Cia Tal&Pá dão vida a Joana D’Arc

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Nos dias 27 e 28 de setembro ocorreram as últimas apresentações da temporada de “As vozes de Joana”, da Cia de teatro Tal&Pá. Mais uma vez o grupo de jovens da Zona Leste se reuniu para contar a história de Joana D’Arc e de seu julgamento pela Inquisição da Idade Média. A peça se utiliza da vida de uma das figuras mais celebres produzidas pela humanidade para falar do quanto diversas vozes ainda sofrem para gritar por direitos, ideais, justiça social e igualdade entre os sexos.

Nesse último final de semana  mais de trezentas pessoas passaram pelo galpão da Escola Maria Augusta de ávila, esses jovens conseguiram novamente dar a vida ao teatro, mesmo contra todas as impossibilidades que o bairro fornece. Artur Alvim é um bairro onde não existe nem sequer um equipamento público de cultura, mas como fica provado, existe muita vontade, e aonde há vontade vamos muito além.

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Alguns dos jovens já trabalham juntos desde 2010, quando o grupo levou aos palcos a famosa fábula de Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach. Outros integraram-se nos anos subsequentes. O grande número de jovens que participam da cia Tal&Pá sempre foi um dos grandes diferenciais do grupo. O trabalho é realizado com adolescentes de 14 a 18 anos, moradores da comunidade de Artur Alvim e Região.

No decorrer do processo, os jovens se apropriam das histórias e passam a fazer parte grupo, como é o caso de Julia de 15 anos: “O grupo se tornou uma segunda família, apesar da dificuldade, disse que iria fazer e fiz. Esse foi meu primeiro contato com o teatro”. Já o Guilherme Rodrigues, de 14 anos, não pensa duas vezes: “O teatro foi o lugar onde encontrei minha segunda parte, me dou super bem com o Tal&Pá. Eu não posso viver sem essa paixão que é o teatro”.

Giovana Guadanholi de 18 anos pensa em seguir carreira como atriz e confessa: “Fazer Joana foi uma experiência incrível, poder entender a importância desta jovem para a história da França e quanta diferença ela fez não só para seu país, a coragem dela e o seu ímpeto são admiráveis e inspiradores. Ela realmente fez a diferença e lutou por aquilo que acreditava ser o certo, até morrer pelo seu ideal. Foi uma temporada difícil e passamos por muitos altos e baixos, mas sobrevivemos e estamos aí pra terminarmos o que começamos e contarmos pela última vez essa história que nos acompanhou por quase dois anos. E que provavelmente levaremos para toda a vida.”

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Quem está disposto a morrer por uma revolução?

Não existe revolução drástica sem violência e não existem grandes violências sem mortes. Quem está disposto a liderar uma revolução que mude um país sabendo que não ficará vivo para desfrutar das mudanças? Você estaria disposto a morrer por uma revolução?

O espetáculo “As vozes de Joana” estreou no momento em que os nossos jovens experimentavam a possibilidade de participar efetivamente da construção de uma nova democracia, com a onda de manifestações que tomou o país em 2013. Recontava a história da camponesa de dezessete anos que se vestiu como um homem e liderou as tropas francesas em 1429. Nos últimos dois anos de sua vida fez muitas coisas improváveis, quase impossíveis… ganhou batalhas, coroou um Rei e salvou seu país. Joana não fez apenas o que era esperado dela: em vez disso, deixou sua marca na história. Capturada em Compiègne em 1431, vendida aos ingleses, interrogada pelo Bispo Cauchon, foi declarada como herege pela Inquisição e queimada em martírio.

Ao longo da narrativa, que tem como fio condutor os autos do processo original movido pela Igreja, o espetáculo relembra depoimentos famosos de outras pessoas que, como ela, às suas épocas, contribuíram para mudar o curso da história.

Uma coisa é certa: O povo sempre foi, em sua maioria, consciente dos desatinos políticos que o cercam. Traçando um paralelo com a nossa realidade, manifestações em várias cidades brasileiras apontavam para um novo caminho político no País. Se vão contribuir de modo positivo e consistente para o futuro do país, não há como saber ainda, o horizonte está aberto. Há muitas razões para a descrença e até o pessimismo. Quem imprimirá os direcionamentos para que uma nova forma de sociedade ganhe corpo? Em nome de quê? Servindo a quais interesses e valores?

Joana sabia o que devia ser feito, foi lá, e o fez. Pagou caro pelas suas decisões. Não há margem para a utopia. Não há garantias.

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Companhia de Teatro Tal&Pá

A Cia. de Teatro Tal &Pá foi criada em 1994, na Escola Estadual Professora Maria Augusta de Ávila, dentro do projeto “Educação por processo de grupo através do Teatro”, com o objetivo de oferecer à comunidade uma opção de cultura e lazer, uma alternativa às drogas e à violência da cidade. Em 2013, a companhia participa do projeto “Crescendo no Teatro: Comunidade em Cena”, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura. Completa em 2014 vinte anos de trabalho, dedicados especialmente ao Teatro Estudantil.

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Ficou interessado ? Quer conhecer o trabalho ? estaremos abrindo oficinas para novos jovens interessados apartir do dia 15 de novembro !

Então, fica o convite: é só chegar!

Onde?

Teatro Ávila;

Rua Fernandes Pereira, 690, Artur Alvim

Entrada pela Rua Major Boa Ventura, s/n

Quando?

dias 15 de novembro, às 15h

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https://www.facebook.com/CiaTalePa

Cartaz foto Barra

 

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