Iny-Nós, um relato do encontro entre jovens urbanos e jovens indígenas Karajá

| Por Flora Beatriz e Wesley Matos, da Agência Jovem de Notícias de São Paulo |

Loiwá parecia um pouco tímida – mas curiosa – quando chegamos no terceiro andar do Sesc 24 de Maio. A jovem de 19 anos é da etnia indígena Karajá, cujas terras se localizam no estado do Mato Grosso, Tocantins e Goiás.

Quando Loiwá nos avistou, estava rindo enquanto sentava com suas amigas da aldeia ao lado de pelo menos dez companheiros e companheiras. Com seus belos adornos coloridos, quatro indígenas observavam e conversavam, quando nos aproximaomos para conhecê-los e nos apresentar.

A princípio, pareciam tímidos. Era nítido o estranhamento e curiosidade de ambas as partes. Será que conseguiríamos estabelecer um diálogo? Será que falávamos a mesma língua? Pedimos licença e nos sentamos ao lado deles.

Dando início a nossa conversa, descobri que a etnia desses rapazes também é Karajás e eles se alto denominam “Iny”, que significa “nós”. Já mais familiarizados e à vontade, nos contaram que onde moram há um céu bem grande e azulado, além de rios e muita terra.

Eles vieram, convidados pelo Sesc 24 de Maio, para apresentar uma dança que celebra um mito de criação, Aruanã, no sábado de inauguração da nova unidade, dia 19 de agosto.

Jovens indígenas Karajá e jovens da cidade de São Paulo, durante programação de inauguração do Sesc 24 de Maio

O público estava muito interessado em conversar com os Iny Karajá. Muitas pessoas queriam posar para fotografias ao lado de Loiwá, suas amigas e os rapazes, outras estavam confortáveis apreciando e observando a presença da etnia na programação de abertura.

No entanto, um grande número de pessoas abordava as jovens de forma invasiva: toques e cutucadas bruscas eram comuns para chamar atenção e garantir um registro do momento.

Um bom exemplo disso foram pessoas que se aproximaram de nós, por sermos da imprensa, fazendo perguntas como: “De onde eles são? São do Amazonas? O que estão fazendo aqui? Podemos tirar uma foto com eles?”, ao invés de conversarem diretamente com as jovens.

Assim como nós, o público também parecia surpreso e curioso com a presença dos indígenas, ainda assim, a ocasião nos fez pensar sobre o tamanho da distância cultural entre povos urbanos e comunidades distantes da cidade, e o impacto – positivo e negativo – que esse encontro gera.

Este texto é resultado da cobertura educomunicativa da inauguração do Sesc 24 de Maio, realizada por adolescentes e jovens do projeto Agência Jovem de Notícias e da Viração Educomunicação, em parceria com o Sesc São Paulo.

Agência Jovem de Notícias

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