Intercâmbio juvenil é debatido na SBPC

Estudar no exterior é um sonho possível? Foi o que discutiram em mesa redonda representantes de instituições internacionais de intercâmbio durante a 64ª Reunião Anual da SBPC em São Luís, MA. A mesa “Ciência Sem Fronteiras, oportunidade sem limites?” tratou do funcionamento do programa do governo federal para o oferecimento de bolsas de estudo em universidades europeias para jovens acadêmicos.

O Ciência Sem Fronteiras é uma iniciativa dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Educação (MEC), com fomento do CNPq e Capes. O programa prevê o fornecimento de 75 mil bolsas de intercâmbio nos próximos quatro anos para alunos de graduação e pós-graduação.

Segundo Helmut Galle, representante no Brasil da Fundação Alemã para a Pesquisa Científica (DFG, na sigla original), a iniciativa do governo federal é boa, mas ainda precisa ser revista. “Somente 2% dos alunos de graduação do Brasil terão acesso às bolsas oferecidas. Isso significa que uma imensa maioria nunca conseguirá ter uma experiência de estudo no exterior. Além do mais, não são contemplados no programa nem cursos de mestrado, nem as áreas humanas e sociais. Isso soa como um recado do governo brasileiro que pode ser mal interpretado por estudantes de todo o país: o único investimento que nos interessas é em Ciência e Tecnologia”, alerta o professor alemão.

Para Emanuel Cleyton, estudante de Engenharia da Computação da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), falta um investimento planejado mais “pé-no-chão”. “Estou terminando minha graduação e queria poder fazer mestrado no Canadá, na Alemanha ou na França, mas o programa não prevê bolsas de mestrado. Acredito que é necessário rever a demanda dos estudantes”, sugere.

Apesar das dificuldades do programa, o Auditório Principal do Centro Pedagógico Paulo Freire, na Universidade Federal do maranhão, onde aconteceu a mesa redonda, estava cheio. Estudantes e professores de todo o país compunham uma plateia atenta e interessada em discutir novos rumos para a política educacional brasileira.

Texto: Madson Fernandes (MA) | Imagem: Madson Fernandes (MA), Jovem educomunicadores em São Luis.

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