Instagram é pátio virtual da escola, segundo pesquisadora

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Pedro Neves, da Redação

O tempo passa, as idades, experiências e atitudes mudam. As crianças brincavam de peão e hoje jogam Minecraft. Muitos criticam e acham um absurdo elas estarem em contato direto com aparelhos eletrônicos, outros enxergam que as novas tecnologias e redes sociais, na verdade, podem auxiliar na educação. Isso tudo levou a pesquisadora Luciana Corrêa a investigar, durante seu mestrado no PPGCOM-ESPM, na Escola Superior de Propaganda e Marketing, as apropriações do aplicativo Instagram por crianças.

“As pessoas enxergam as redes sociais como algo ruim, dizem que estraga a criança. Falta olharmos para elas como uma oportunidade de entender o comportamento dos jovens”, afirma Luciana, cuja pesquisa se intitula Eu tenho Insta – infâncias, consumo e redes sociais, os usos e apropriações do aplicativo Instagram por crianças na cidade de São Paulo.  O projeto começou quando a ela, inconformada, ouvia muita coisa negativa dos discursos sobre as novas tecnologias. “Não é possível que não tenha nada de bom nessa rede”. Foi assim que tudo começou.

A partir da ideia apocalíptica, ela começou a recortar os aplicativos. “Enquanto você faz uma dissertação, o tempo passa muito rápido, mas as crianças também evoluem rapidamente. Uma sugestão que deixo é justamente essa, precisamos realizar pesquisas a cada dois anos e diminuir o espaço entre as idades”, explica Luciana.

A grande questão da dissertação era entender como as apropriações das tecnologias digitais por crianças permitem a sua inserção na sociedade. “Foram quatro grandes eixos que seguimos: são mini adultos? O que produzem? Existe intervenção dos pais? Como definem o novo brinquedo?”, conta.

Depois de elaborar a bibliografia e os passos que ia seguir, chegou a hora de observar e entender as crianças de 6 a 12 anos com contas no Instagram.  “Analisei 50 perfis diferentes entre 2013 e 2015”, conta. Captar todo o material foi um desafio, mas a pesquisa de campo foi a consolidação do que Luciana queria provar. “Para a criança, o Instagram é como o pátio da escola, elas não tem noção do tamanho da rede. Conversam e se baseiam na rodinha delas, são muito inocentes”.

Quando começa a crescer que a coisa pega, a internet não deixa de ser um reflexo da fase de sua vida. “Fica evidente no mapeamento que fiz. Meninas que postavam sobre brinquedo, agora postam coisas de pré-adolescente”, conta Luciana. As respostas eram um pouco padrões, reflexo do ambiente, da classe e do dia a dia. “A pesquisa precisava de um recorte, mas meu sonho seria comparar o comportamento entre crianças da escola pública e particular”, revela a pesquisadora.

Depois de todo o trabalho e aprendizado a conclusão foi além do esperado, uma pequena chama que serviu de inspiração para novos projetos. “Quando vejo cartilhas e cartilhas de texto, patrocinadas por grandes empresas, me dá desespero. Não existe uma linguagem que a criança entenda e se interesse. Precisamos rever a maneira que conversamos e ensinamos, pretendo seguir essa linha nas próximas pesquisas”, finaliza Luciana.

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1 Comentário

  • Parabéns minha filha Luciana Corrêa!!! bj

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