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Indivisível, portanto, visível – Agência Jovem de Notícias

Indivisível, portanto, visível

Relatório aponta as conexões entre as mudanças climáticas e a violência de gênero.

Em todo o mundo, uma em cada três mulheres é vítima de violência de gênero. Toda mulher experimenta violência e discriminação de gênero pelo menos uma vez na vida. Não importa onde trabalha ou quem é, se a molestam ou se enchem seu corpo de balas na rua, se um homem se esfrega contra ela em um ônibus ou se é estuprada em casa, na Líbia ou em um resort na África Subsaariana.

A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) publicou recentemente um relatório sobre violência e meio ambiente sob a perspectiva de gênero, que destaca as conexões entre práticas de subjugação feminina e exploração de recursos naturais. Frutos de um sistema capitalista e patriarcal que os utiliza para se perpetuar, cria um círculo vicioso que transforma a violência em uma arma poderosa para aumentar as desigualdades e silenciar os protestos. Práticas como exploração sexual em troca de bens básicos na África ou estupro como método para desagregar comunidades resistentes na América Latina baseiam-se na concepção de mulher enquanto um objeto sobre o qual o homem historicamente exerceu direito à propriedade.


Enfrentar a crise ambiental enquanto se persegue o objetivo de eliminar as discriminações é criar – ou reforçar – caminhos de autodeterminação, independência e liderança compartilhada para reajustar fundos e pesquisas na direção de soluções mais interconectadas.


Os efeitos são inúmeros. A violência é usada para impedir que as mulheres acessem e controlem recursos naturais, meios de produção, propriedades móveis e imóveis e, assim, obtenham um maior grau de emancipação: a educação é muito cara, quando a pessoa nem sequer possui os meios para sobreviver. Dessa forma, a subalternidade feminina enraíza-se na sociedade e torna-se cada vez mais difícil de desmantelar, protegida por um sistema de repressão contra qualquer pessoa (e especialmente as mulheres) que tente reagir, defendendo os direitos básicos, como os de viver em um ambiente saudável e permanecer em sua terra. 

Este cenário é dramático, mas existem razões para ter esperança. A crescente exploração de recursos não renováveis, poluição, aquecimento global, desastres ambientais e fenômenos naturais extremos obrigaram as pessoas a abrir os olhos. Estão percebendo que salvar a Terra é também salvar a humanidade, além de ser uma oportunidade de revolucionar o sistema que adotamos até agora para organizar nossa sociedade. O último capítulo do relatório da IUCN, acima mencionado, é dedicado às recomendações para a tomada de ações, sugerindo que enfrentar a crise ambiental enquanto se persegue o objetivo de eliminar as discriminações e criar ou reforçar caminhos de autodeterminação, independência e liderança compartilhada para reajustar fundos e pesquisas na direção de soluções mais interconectadas. Dessa forma, a exploração de pessoas e recursos chegará a um fim definitivo.

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Texto por Silvia Rigo, traduzido por Daniele Savietto.

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