Incentivar a emissão do título é importante, mas é preciso criar espaços plurais de debate

Número de jovens interessados na emissão do título de eleitor registra um aumento de 45%; mas a juventude ainda se considera pouco compreendida em suas necessidades

Por Camila Guimarães

Personalidades como a cantora Anitta e o ator norte-americado Leonardo DiCaprio recentemente se posicionaram em suas redes sociais para incentivar a juventude brasileira a exercer a cidadania por meio do voto, nas eleições de outubro.

Título de eleitor e urna eletrônica. Imagem: TSE

O movimento desses e de outros artistas, têm surtido efeito entre os eleitores mais novos, pois o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrou em março uma alta de 45,63% no número de jovens com idade entre 15 e 17 anos interessados na emissão do documento. O índice foi comparado com o mês anterior, quando o próprio tribunal revelou que nunca na história do Brasil o número de adolescentes com título de eleitor foi tão baixo. 

Na contramão da maioria dos jovens brasileiros, Danielle Marton, de 16 anos, tirou o título de eleitor em fevereiro. A adolescente está ensino médio regular no Colégio Técnico de Lorena, vinculado a USP e faz curso técnico jurídico na ETEC.

Quando questionada sobre o seu interesse pela política a jovem desabafa sobre a sua insatisfação com o cenário brasileiro, em especial no processo de escuta das juventudes. “Uma das pautas pelas quais luto é referente a participação ativa da juventude nas decisões políticas e, para isso, é necessária sua inclusão nos debates públicos”. 

A estudante cita movimentos com a  União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e acredita que hoje diversos organismos engajados com as pautas da juventude estão dispostos a construir novas realidades, ocupar espaços e se tornarem ativos nas decisões políticas que lhes cabem.

Quando questionada sobre o que sente ao falar de política, a adolescente diz que  a juventude é pouco compreendida em suas pautas e pouco incluída nos espaços de debate. 

“Constantemente nossas afirmações são invalidadas por uma visão comumente presente na sociedade de que o jovem conhece pouco do mundo e, portanto, nessa visão, nosso discurso não é legítimo e nossas demandas, em seus recortes de raça, gênero e classe,  são tão pouco abraçadas”, afirma Marton.

Com relação ao círculo social, Danielle revela que a maioria de seus amigos já tiraram o título e entende privilégio a sua formação político-cidadã. A maioria dos jovens de meu círculo social que podem tirar o título já o fizeram. Isso porque, especialmente no COTEL, os alunos possuem maior engajamento político que é resultado de possibilidades para a formação política e cidadã do educando”. E continua dizendo “O que infelizmente não é a realidade dos perfis da maior parte do ensino médio brasileiro. Nesse sentido, notamos um desigual sistema de ensino e, paralelo a isso, a formação político-cidadã como privilégio.”

Representando uma outra parcela de jovens e inclusive, podendo esbarrar com a Danielle pelos corredores escolares uma outra jovem da mesma idade demonstra não querer votar neste ano. “Eu ainda não tirei, por enquanto ainda não pretendo tirar o título de eleitor”, afirma a jovem A.C.S.N. que prefere não se identificar.

Tão importante quanto o incentivar o jovem na emissão do título de eleitor, está a necessidade da construção de espaços plurais de debate, onde o grupo possa entender a importância de exercer a cidadania por meio do voto e da participação social das juventudes nos processos e pautas do seu cotidiano.

Vale lembrar que até amanhã 04/05 é possível emitir um novo título e também regularizar a situação com a justiça eleitoral.

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