“A igualdade de gêneros é a base para alcançar um crescimento econômico sustentável, inclusivo e equitativo”, diz o secretário-geral da ONU


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 Pedro Neves, da Redação | Imagem: Divulgação

Entre os dias 13 e 16 de julho aconteceu a Terceira Conferência sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, em Adis Abeba, Etiópia. Representantes de governo, instituições financeiras, setor privado, organizações não governamentais e sociedade civil se reuniram para apresentar um novo pacto social para os investimentos e viabilizar um resultado intergovernamental com o objetivo de chegar a um acordo sobre a implementação da agenda de desenvolvimento pós-2015.

“É claro que não investiram suficientemente na igualdade de gênero”, disse Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, durante a conferência em Adis Abeba. “Sabemos que persistem lacunas na igualdade de gênero. O empoderamento das mulheres no mundo tem sido uma barreira para a realização de cada um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)”, completa.

Ele aponta que, atualmente, menos de 10% da ajuda pública ao desenvolvimento (APD) tem como alvo as mulheres, ou seja, muitas políticas e programas de igualdade de gênero continuam sem financiamento. “Isso tem que mudar agora se quisermos alcançar um crescimento econômico sustentável, inclusivo e equitativo”, afirma.

“O texto do documento adotado na Conferência contém o empoderamento da mulher como uma das condições fundamentais para alcançar o desenvolvimento sustentável, tanto como sujeitos de direitos como evidência quantitativa de melhorias no retorno ao investimento, principalmente em comunidades e populações sociais ou ambientalmente vulneráveis”, diz Alessandra Nilo, diretora da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) em Pernambuco e uma das fundadoras da Gestos, que há onze anos contribui na garantia dos direitos humanos das pessoas que vivem com  AIDS.

Porém, apesar de ter sido um dos tópicos mais importantes da reunião, algumas ONGs e movimentos ainda acham pouco o que foi acordado. “O GT de Mulheres chamou a atenção que a participação da mulher na economia é antes seu direito humano inalienável, e que não se devia ‘instrumentalizar o empoderamento para o crescimento econômico’”, conta Alessandra.

A discussão vai além quando pararmos para pensar nas falas mais conservadoras de países desenvolvidos que, apesar de terem muitos avanços na igualdade de gênero, enxergam nas privatizações e medidas cautelosas o caminho certo. “É de praxe se ignorar essa realidade que existe na relação do homem e a mulher, visto que o mundo foi criado a partir da visão do patriarcado”, diz o Grupo de Trabalho de Gênero da ONG EngajaMundo. “Quando se trata de uma conferência internacional pautada nos desafios de desenvolvimento sustentável se percebe que o real interesse não é a desconstrução desse paradigma e sim a reafirmação”, completa.

Países nórdicos não percebem que o salário dos homens ainda é maior que o das mulheres, mesmo exercendo o mesmo cargo. Elas ainda são minoria em postos de chefia e acumulam mais afazeres domésticos e os cuidados com os filhos. A desigualdade de gênero é uma realidade construída em diversos anos e essa relação de igualdade entre meninos e meninas precisa ser plantada em casa e na escola.

“Nosso país já superou muito a disparidade ao acesso à educação, meninas e mulheres já são maioria em todos os níveis de ensino. Contudo, mesmo com melhorias nos indicadores, a desigualdade no mercado de trabalho, nos rendimentos e na política persiste”, declara o GT de Gênero da ONG EngajaMundo. “Sem contar que a violência doméstica continua atingindo milhares de brasileiras, essa progressão na equidade de gêneros deve acontecer de maneira mais rápida e atingir todas. As pobres e as negras seguem objetificadas e desprezadas. A elas são delegados os piores trabalhos e o esquecimento”, completa.

Pedro Neves

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