HIV nas Américas: onde estamos e para onde estamos indo?

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Diego Calixto, colaborador da AJN em Juiz de Fora (MG)

De 16 a 18 de abril, aconteceu um importante congresso regional (Américas) de caráter científico, que teve como objetivo debater questões relacionadas ao enfrentamento do HIV/AIDS, ISTs e Hepatites virais, o HIV Drug and Therapy. O evento reuniu, na Cidade do México, cerca de 500 delegados de diferentes lugares do continente americano, além de convidados e especialistas de vários lugares do mundo.

O início do congresso foi marcado por um workshop sobre hepatites virais que abordou questões relacionadas às populações mais afetadas e propensas à hepatite C, as dificuldades de trabalhar, as interações medicamentosas com o tratamento e importância da incorporação dos novos medicamentos para tratamento da hepatite C: Sofosbuvir, Daclatasvir e Simeprevir.

Houve diversos questionamentos com relação aos preços e a dificuldade de acesso dos países para disponibilizar esses medicamentos mais modernos e eficazes à população, e que o acesso a esses medicamentos funciona como um grande entrave para avançarmos na luta contra a hepatite C.

O ponto de grande debate da abertura do congresso foi a fala que o Prof. Dr. Mike Lederman, da Western Reserve University, dos Estados Unidos, trouxe a respeito da ativação imunológica na infecção pelo HIV e a importância do tratamento nesse processo. Houve uma série de questionamentos com relação ao mecanismo adequado para avaliar esse processo e se seria possível determinar um tempo padrão a todas as populações para estabelecer esse processo de ativação imunológica.

Outro aspecto importante foi a fala do Dr. Chris Beyrer, presidente da IAS — International Aids Society, com relação às populações chave, deixando claro que só será possível avançar numa resposta efetiva à epidemia de AIDS, sobretudo nos países mais afetados, quando houver um olhar mais sensível e atento a essas populações, para que sejam trabalhadas diferentes estratégias de acesso e de fomento à pratica do sexo seguro junto às pessoas que são tidas como chave para o processo de enfrentamento da epidemia de AIDS. Essas populações chave são as que mais carecem de informação e que dificilmente acessam os mecanismos existentes para a prevenção do HIV.

Um painel bastante esclarecedor foi o da pesquisadora Brenda Crabtree, do Instituto Nacional de Ciências Médicas do México, que apresentou diferentes estudos de casos a respeito do TASP – Treatment as Prevention.

Segundo ela, o tratamento precoce após o diagnóstico e seus benefícios individuais para a pessoa de sorologia positiva para o HIV, configuram hoje um dos principais insumos de prevenção da infecção pelo HIV e deve ser tido como uma estratégia oportuna e importante para trazer respostas positivas na luta contra AIDS e na redução de novas infecções.

Brenda ainda abordou o papel do TASP na redução da mortalidade por AIDS e no desenvolvimento de infecções e doenças oportunistas. Para ela, a recomendação de tratar as pessoas diagnosticadas com HIV precocemente deveria ser reforçada e implementada em todos os países, como forma de garantir que os países não só controlem a infecção pelo HIV mas também consigam fortalecer o conceito de prevenção combinada e da melhoria da qualidade de vida das pessoas com HIV, tendo no tratamento um importante mecanismo que se soma ao preservativo e outros insumos no processo de prevenção combinada.

A adesão também foi bastante discutida no congresso. O Dr. José Castillo-Mantilla, da Universidade do Colorado, apresentou alguns estudos de caso que mostram a importância de ter um controle efetivo dos pacientes que abandonam o tratamento a fim de controlar a falha terapêutica e uma possível resistência futura.

Ele citou estudos que demonstram que a adesão está ligada à aceitação do diagnóstico e à relação do paciente com o profissional de saúde e/ou a unidade de saúde do qual ele está relacionado, uma vez que muitos dos pacientes que abandonaram o tratamento e/ou se tornaram resistentes, alegaram que não aceitavam a condição do HIV e do respectivo tratamento. Outros relataram que não se sentiram bem nas consultas e no processo de acompanhamento previsto na assistência e, devido a esse contexto, optavam por não aderir à medicação e abandonar a terapia antirretroviral.

O professor e Dr. Roy Gulick, da Universidade de Cornell contextualizou a questão da incorporação das novas tecnologias de prevenção, como a PeP — Profilaxia Pós-Exposição e PrEP — Profilaxia Pré-Exposição, no sentido de que os países precisam compreender que a eficácia e importância dessas tecnologias já foi comprovada. A partir disso, eles precisam batalhar para implementar essas tecnologias e garantir o acesso da população a essas profilaxias.

Ele destacou ainda que as novas tecnologias de prevenção são vistas de formas muito discrepantes conforme as diferenças regionais e sociais se acentuam e, justamente por isso, é muito importante entender que essas tecnologias são mecanismos adicionais na prevenção e garantem uma nova perspectiva no enfrentamento da epidemia de AIDS através do seu caráter de prevenção secundária e adicional (como se fosse um plus, um elemento a mais de proteção) e que hoje são estratégias fundamentais para acabar com a epidemia de AIDS no mundo.

Jornalista, professor e educomunicador. Responsável pelos conteúdos da Agência Jovem de Notícias e Revista Viração.

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