Gênero e Diversidade Sexual no Campo

Por Elisangela Nunes

Jovens presentes do 1º Seminário de Juventude Rural participaram, nesta quarta, de oficina sobre gênero e diversidade sexual.

Para que possamos começar essa discussão é importante entender que, ao longo da história, o processo de educação dentro do meio o rural. Em especial quando falamos dos papéis de ser homem e ser mulher, que começa ser aprendido desde cedo e vem acompanhado de tabus, preconceitos e estereótipos. Foi com essas reflexões que se iniciou a roda de conversa do grupo de trabalho.

A discussão foi orientada a partir dos relatos de experiências das condições de ser jovem mulher do campo e ser jovem mulher lésbica campo. Trabalhando a junção entre as quatro singularidades, o grupo pensou sobre as questões para superar  desigualdade, hoje presente nessas relações de gênero, o direito ao corpo, no direito a vivência da sexualidade livremente, e se refletiu muito sobre a importância de formações para superação do preconceito que ainda persiste, mesmo com os avanços. Para isso foi construindo propostas em cinco campos para o meio rural, participação, saúde, trabalho e renda, comunicação e educação. Confira!

Propostas de políticas públicas:

Política de assistência técnica que leve em consideração questões como: desigualdade de gênero e geração, transição do modelo tecnológico para a agroecologia;

Formação para jovens mulheres – educação formal e não-formal, que considere o direito ao corpo, à sexualidade e à diversidade sexual;

As políticas sobre saúde e direitos sexuais devem trazer informações suficientes para que a jovem do campo possa conhecer o funcionamento de seu corpo e fazer suas escolhas, qualificando profissionais da saúde para se relacionarem adequadamente com homossexuais.

Melhoramento/reformulação das políticas de comercialização que já existem, ampliando a participação das jovens mulheres;

Políticas de fomento para capacitação e infraestrutura que incluam todos as etapas produtivas (produção, industrialização e comercialização) específicas para a geração de trabalho e renda para as mulheres jovens do campo, de forma desburocratizada, enfocando a agricultura camponesa agroecológica;

Políticas que garantam a infraestrutura necessária para a transição para
a agroecologia;

Campanhas nos meios de comunicação que valorizem a vida no campo contribuindo para superação de estereótipos, preconceitos, discriminações e mostrando a diversidade que existe (gênero, raça/etnia, sexualidade, geração);

Promover a inclusão digital na zona rural com paridade de participação
das jovens mulheres (telecentros);

Garantir 6 meses de salário maternidade para as jovens mulheres do campo;

Viabilizar uma educação do campo não sexista, anti-racista e contra a homofobia;

Criação de creches nas comunidades rurais;

Criação/ampliação dos espaços de sociabilidade e lazer nas comunidades com alternativas e garantias à participação das jovens mulheres

Garantir o acesso à titularidade da terra às jovens do meio rural, como direito de permanecer no campo e exercer com dignidade a profissão de agricultora.

Políticas de capacitação à geração de renda na área da cultura e de valorização das manifestações culturais e artísticas protagonizadas pelas jovens mulheres.

Proposta de participação social e acompanhamento das políticas públicas pela juventude rural

Garantir que o poder de decisão sobre a renda seja compartilhado;

Criar fóruns/comitês para acompanhamento e controle social das políticas constituídas com a participação efetiva das jovens mulheres, valorizando as jovens como sujeitas na articulação de políticas específicas para mulheres, criando cotas para que estejam nos espaços de elaboração/articulação e controle das políticas de juventude; que o governo federal vier a criar.

Organização/constituição de grupos de jovens mulheres que atuem no monitoramento da execução das políticas;

Elisangela N. Cordeiro

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