Gender Day na COP19

Por Daniele Savietto,  da Delegação Jovem do Brasil na COP19*

 

Mais do que chamar a atenção para a urgente necessidade de equidade de gênero na sociedade e também nas negociações da conferência sobre mudanças climáticas, o Gender Day retomou a sensibilidade humana, o cuidado, o respeito, a solidariedade e o sonho por um mundo justo, verdadeiro motivo que deveria guiar as negociações na COP19.

Vivemos em um mundo que carrega uma triste herança histórica, marcada por preconceitos e desigualdades, e entre as inúmeras mazelas causadas, ainda hoje carregamos os resquícios de uma sociedade machista e patriarcal. Nesta sociedade os espaços públicos sempre foram majoritariamente masculinos, e mesmo em pleno século XXI, esta realidade não foi desconstruída sendo refletida inclusive dentro da COP, onde as negociações e decisões são quase exclusivamente realizadas por homens.

Para que as discussões sejam abertas e completas é necessário que se abra espaço para todas as vozes, homens, mulheres, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, pois é na pluralidade que reflexões significativas podem acontecer.

Esta desigualdade de gênero não passou despercebida já que a COP abriu em sua agenda um espaço para que essa questão ganhe voz e tome corpo, vários eventos e intervenções  foram promovidos por organizações chamando para discussão a necessidade da participação feminina, a obrigação de uma abertura para que as mulheres sejam ouvidas antes que decisões sejam tomadas.

Mulheres que servem como exemplo e inspiração, como Christina Figueres, Mary Robinson, Laskshmi Puri, Helen Clarck, compartilharam seus sonhos e posições em uma roda de
conversa inspiradora, onde lembraram que mulheres são também grandes vitimas das mudanças climáticas de inúmeras formas, Mary Robson exemplificou elencando a quantidade de estupros que estão acontecendo nas Filipinas pós-catástrofe, tornando-se um cenário que acaba por afetar as mulheres de maneira desproporcional.

A International Women’s  Earth and Climate Summit distribuiu uma declaração em defesa das crianças, das variadas culturas, nacionalidades e fés, onde deixou clara sua posição, exigindo que o debate acabe e a ação comece para preservar as futuras gerações, todas as coisas vivas no planeta e nossa Mãe Terra.

E entre tantos sonhos compartilhados, aproveito para dividir o meu, um mundo em que todos tenham voz e não precisem se esforçar mais que outros para isso, um lugar verdadeiramente justo e solidário, onde todos tenham acesso aos mesmos recursos e direito às mesmas oportunidades, e acredito que juntos somos capazes de construir este e tantos outros sonhos.

 

*A Delegacão Jovem do Brasil na COP19 é composta pelas organizações:ViraçãoEducomunicaçãoEngajamundoAliançaMundial das ACMs e Federação Luterana Mundial

 

Evelyn Araripe
Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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