Gameterapia: o tratamento que une medicina e diversão

Por: Jefferson Rozeno da Agência Jovem de Notícias/ Foto: Jefferson Rozeno

Se engana quem acha que vídeogame é apenas um passa tempo. Muito além da diversão e interatividade, os games proporcionam uma série de experiências valiosas ao jogador. O desenvolvimento de habilidades estratégicas, lógicas, criativas e físicas, são alguns dos benefícios do uso da ferramenta tecnológica e justamente a partir do reconhecimento destas habilidades surgiu a “Gameterapia”

Desenvolvida em 2006, no Canadá, a gameterapia consiste na utilização de videogames em sessões fisioterapêuticas, ortopédicas e neurológicas que, além de humanizar o tratamento muitas vezes doloroso e exaustivo, possibilita interatividade e acessibilidade para pacientes com deficiência..

Existem algumas vertentes do tratamento, na mais comum, o paciente (jogador) é acomodado diante de sensores de movimentos que controlam suas ações. As movimentações feitas por ele são refletidas na tela, fazendo com que todo o processo seja controlado e supervisionado pelo profissional da saúde responsável pelo tratamento.

Os resultados da terapia são expressivos. Nos Estados Unidos, pesquisadores do Medical College of Georgia descobriram que os jogos de tênis, boliche e boxe, da plataforma Nintendo Wii, melhoram a rigidez, o movimento e as habilidades motoras, além de diminuir a ocorrência de depressão em pacientes acometidos de mal de Parkinson.

As análises neurais mostraram que a prática diária de videogames resulta (em adultos e idosos) no aumento das atividades do hipocampo, uma área do cérebro responsável pela memória.

O resultado provado pelos cientistas mostraram que esses games podem ser usados como estratégia na prevenção de problemas neurológicos que são naturais do processo de envelhecimento, especialmente o  temido Mal de Alzheimer e outras doenças neurológicas.

Um outro estudo realizado também no Cánada, desta vez na Universidade de Montreal, recrutou voluntários com idade media de 20 anos, que foram recomendados a jogar videogames  com base em tarefas lógicas.

As análises provaram que os participantes tiveram aumento da matéria cinzenta do cérebro: “Nós mostramos, anteriormente, que os jogos 3D podem aumentar a matéria cinzenta de adultos mais novos. Buscamos, portanto, replicar esse efeito em alguns adultos mais velhos e saber se o mesmo ocorreria, pois seria algo importante”, conta o neurocientista Gregory West, responsável pelo estudo.

Os métodos deram uma visão geral de que as atividades cerebrais tiveram mudanças em três áreas consequentes:

  1. O córtex pré-frontal dorsolateral (que controla o planejamento, a tomada de decisões e a inibição),
  2. O cerebelo (responsável por atuar no controle e no equilíbrio motor), e
  3. O hipocampo (que é o centro da memória).

Parte da explicação está na fala do  especialista, quando diz: “O jogador precisa navegar em um ambiente virtual, confiando em um mapa cognitivo interno. Isso significa que a pessoa precisa confiar na própria memória interna do ambiente para navegar, em vez de, digamos, seguir pistas externas, como um sistema de GPS”.

“Quando as pessoas formam um mapa cognitivo, usam o hipocampo. Isso pode explicar por que esse tipo de jogo promove o aumento da matéria cinzenta nessa estrutura”, diz.

Além disso, os testes revelaram melhorias neurais em indivíduos que participaram das aulas de piano.

“Quando o cérebro está aprendendo coisas novas, a matéria cinzenta se atrofia a medida que as pessoas envelhecem. A boa notícia é que podemos reverter isso e aumentar o volume aprendendo algo novo, como usando jogos 3D”, concluiu o pesquisador canadense.

Acessibilidade e gameterapia foram destaques da maior feira de games da América Latina, a Brasil Game Show (BGS), que este ano convidou beneficiários da instituição Casa de David (foto destaque), adepta do tratamento.

A instituição desenvolve tratamentos alternativos há 3 anos e oferece a gameterapia aos beneficiários com deficiências intelectuais e físicas, como tetraparesia e paraplegia.

O início do Projeto tinha como objetivo  promover recreação e atender o maior número de beneficiários, mas os idealizadores, o Professor de Educação Física Bruno Sartori e o fisioterapeuta Paulo Alexandre Mascarenhas, observaram que houve melhoras no desenvolvimento intelectual e motor sensorial, a partir do incentivo da atividade cerebral.

“Além de inovadora a terapia mostra resultados muito significativos, pacientes que participam deste processo não só melhoram seu estado clínico como também levam o tratamento com mais leveza e profundidade” conta a fisioterapeuta Karoline Secadda, para a doutora, inovar e usar novas tecnologias é uma forma de incluir e aproveitar o potencial dos pacientes, “Se temos toda essa tecnologia, porque não usar”, finaliza a profissional.

Indicada para crianças, jovens, adultos e idosos, a terapia com o uso do videogame não substitui outras práticas terapêuticas, mas complementa o tratamento uma vez que leva o paciente para outra “realidade”. É extremamente importante utilizarmos ferramentas como essas a favor da acessibilidade e da integração.

Agência Jovem de Notícias

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