Furacão Frida

Conheça a pintora mexicana que contava suas vivências em seus quadros

Sâmia Pereira, do Virajovem São Paulo (SP)

Ilustração de Novaes, colaborador da Agência Jovem de Notícias

“Pinto a mim mesma porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”, disse Frida Kahlo, pintora mexicana nascida em 1907, que gostava de declarar-se como filha da revolução ao dizer que nascera em 1910, ano da Revolução Mexicana.

Frida não tinha planos de tornar-se artista. No entanto, em 1925, ao sofrer um grave acidente de ônibus – início de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo de sua vida -, começou a pintar telas em um cavalete adaptado à cama e também nos diversos aparelhos ortopédicos que usaria durante anos. Quando sua mãe colocou um espelho no teto, Frida começou a pintar a si mesma.

Ainda jovem, filiou-se ao partido comunista, quando conheceu Diego Rivera, muralista polêmico com quem se casaria mais tarde. A partir de então, Frida viajou o mundo, conheceu os maiores astros da política e das artes, e sob influência de sua identidade mexicana e dos muros pintados por Rivera, retratou o país em que vivia – incluindo as tradicionais vestes que usava desde o acidente.

Seus quadros, muitas vezes chocantes, apenas refletiam sua vida. Ambos eram infiéis – Rivera traiu-lhe com sua irmã, enquanto Frida relacionou-se com Leon Trotski, ex-líder comunista soviético, quando este se refugiou em sua casa. Seu casamento conturbado foi tema para diversas pinturas, inclusive o famoso quadro “As duas Fridas”, em que uma vestia roupas estrangeiras, mostrando a Frida como cidadã do mundo, enquanto a outra aparece com trajes mexicanos e um retrato do marido, ligada à primeira por uma fina artéria. A impossibilidade de ser mãe era seu maior pesar, uma vez que as sequelas das operações que sofreu não lhe permitiam levar uma gestação até o final.

Apesar de suas limitações físicas, Frida provou que não há barreiras para se expressar. Os últimos anos de sua vida foram os mais produtivos de sua carreira, mesmo com uma perna amputada e usando um pesado colete de gesso. Sua última realização foi a exposição de suas obras em um museu de seu país natal.

Em uma de suas exposições pelo mundo, sua obra fora classificada como surrealista. Frida declarou mais tarde: “Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade”.

Tá na mão:

Dica de filme: “Frida” (2002, direção de Julie Taymor) retrata a vida da pintora desde a adolescência até a morte. O filme aborda o cotidiano familiar, seu casamento aberto com Diego Rivera e seu relacionamento com Trotski e com diversas mulheres.

Texto publicado na edição nº 66 da Revista Viração, em outubro/novembro de 2010

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