FORTES CHUVAS EM PERNAMBUCO: DOS PROBLEMAS DE GESTÃO AOS EFEITOS DA CRISE CLIMÁTICA

Quase sempre associamos a crise climática a assuntos que parecem distantes da nossa realidade. No entanto, a mudança do clima afeta os eventos extremos, como a chuva, e esta, por sua vez, impacta a vida da população. Em Pernambuco, esse é o cenário atual: muita chuva, problemas de gestão e necessidade de urgência para frear a crise climática e reduzir as desigualdades sociais. As pessoas em situação de vulnerabilidade social estão cada vez mais expostas a estes eventos extremos e não precisam continuar pagando com as suas vidas.

Por Rayana Burgos e Hyuri Tabosa

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão das Nações Unidas responsável por avaliar a ciência relacionada às mudanças climáticas, apresentou em diversos relatórios que a atividade humana está causando o aquecimento global. E este aquecimento vem causando alterações em padrões de chuva, seca e de outros eventos naturais. 

Quase sempre associamos a crise climática a assuntos que parecem distantes da nossa realidade. No entanto, tornou-se comum, em diversas localidades do mundo, a presença de manchetes noticiando mortes de pessoas, em decorrência de eventos climáticos típicos ou atípicos. 

(Recife – PE, 30/05/2022) Sobrevoo de áreas afetadas pela chuva.
Foto: Clauber Cleber Caetano/PR / Palácio do Planalto – Reprodução Flickr

E o que temos visto em Pernambuco nos últimos dias não é diferente. Até a manhã do último domingo (29) o Estado já somava cerca de 44 óbitos, 56 desaparecidos, 25 feridos, 3.957 desabrigados e 533 desalojados, segundo o ministro do Desenvolvimento Regional, Daniel Ferreira. Os impactos causados pelas fortes chuvas, especialmente na Região Metropolitana de Recife, demonstram que as cidades precisam se adaptar às mudanças do clima, com o propósito de conter as consequências devastadoras destes eventos extremos, que serão cada vez mais frequentes. 

E em especial, é necessário que a cidade do Recife se prepare para os anos que virão, uma vez que a capital pernambucana é a capital brasileira mais vulnerável ao aquecimento global e a 16ª cidade do mundo que mais irá sofrer com a mudança do clima, de acordo com o IPCC. Além disso, o IPCC indica que, caso não ocorram adaptações às mudanças climáticas, as mortes causadas pelas inundações podem aumentar globalmente em cerca de 130%, em comparação com o período entre os anos de 1976-2005.  

Isso quer dizer que a mudança do clima será um fator relevante para determinar a qualidade de vida e a segurança dos pernambucanos, principalmente dos recifenses, mas essa informação não minimiza o papel da gestão pública. Muito pelo contrário, é perante este desafio que a administração pública estadual e municipal precisam se mobilizar para implementar políticas que preparem as cidades para encarar a mudança do clima causando o menor impacto possível na população.

O histórico problema de infraestrutura não pode ser normalizado diante dos recentes fenômenos climáticos. Ano após ano, as chuvas expõem problemas de gestão decorrentes de falhas na drenagem, contenção de encostas, déficits no saneamento e na gestão de riscos, causando caos e colocando em risco a segurança e vida de centenas de pernambucanos.

É de se reconhecer que, desde 2019, a cidade do Recife tem se tornado referência nacional no enfrentamento à mudança do clima,  quando da assinatura do decreto que reconhece a emergência climática e do lançamento do Plano de Adaptação da Cidade.

No decreto, a cidade se compromete a  priorizar, nas políticas públicas climáticas, as comunidades vulneráveis, bem como comunidades históricas e desproporcionalmente impactadas por injustiças ambientais. E, nos planos de ação local, são apontados os direcionamentos que o município deve seguir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se tornar mais preparado para os efeitos adversos da mudança do clima.

No entanto, mesmo ciente de que os planos municipais e equipes estão sendo mobilizadas para encarar esse desafio, a cidade tem pressa. As medidas precisam ser implementadas com urgência, porque as pessoas em situação de vulnerabilidade social estão cada vez mais expostas a estes eventos extremos e não precisam continuar pagando com as suas vidas.

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1 Comentário

  • Cidades litorâneas como Recife e Região Metropolitana, Rio de Janeiro e até Florianópolis, tem em suas geografias, regiões de morros, que tem ou tiveram seu crescimento com ocupação desordenada dos morros, sem o urbanismo necessário (ruelas e não ruas), dificultando o escoamento da água de chuvas torrenciais, a questão também do esgoto sanitário, muitas vezes Sem tratamento ou Inexistente! Atrelado a isso, o mar fica vulnerável ao efeito das “ressacas”, aflingindo moradores que residem próximo a eles, como os pescadores! Nesse Milênio raramente ouvimos políticos falarem em Infraestrutura, como diz Boris Casoy: tais obras são Invisíveis, porque passam pela preparação abaixo do solo e, noutra ponta, tem a população que em dias de sol, Não se preocupam em preservar a limpeza dos pontos de escoamento das ruas, nas ruas que possuem infraestrutura!

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