Falar abertamente sobre sexo ainda é desafio, mas não impossível

Por Lilian Albano, colaboradora do Programa Adolescer, para a Agência Jovem de Notícias /Ilustração de Natália Forcat, colaboradora da Viração

Seria interessante se pudéssemos conversar aberta e tranquilamente sobre sexo e sexualidade desde cedo, transformando esse tema “tabu” em algo bem natural, como realmente é. Mas isso, ainda hoje, é um grande desafio.

Ainda que não seja simples, há algumas pessoas com quem podemos conversar sobre sexualidade. Abaixo, listei alguns.

Conversa com os nossos pais ou responsáveis: São as primeiras pessoas com as quais deveríamos buscar informações e orientações sobre sexo ou qualquer outro assunto. Mas como fazer isso? Assim como é um tema-tabu para nós, também o é para nossos pais. Para estabelecer um clima de diálogo franco e aberto com eles, vale considerar que talvez seja a primeira conversa desse tipo para ambos. Um aprendizado para eles e para você.  Com toda atenção e carinho poderão lembrar que já passaram pelas mesmas dúvidas e inquietações e, como te conhecem bem, irão te orientar nas suas descobertas e tomadas de decisão.

Outros adultos de confiança: Nem sempre nos sentiremos a vontade para falar sobre qualquer assunto relacionado a sexo com nossos pais. Na busca por informações de qualidade, esclarecimentos e opiniões, outro adulto de nossa confiança também pode ser uma boa escolha. Há jovens que se sentem bem conversando com pais e mães de amigos, professores, funcionários da escola e outros.

Serviços de saúde: Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e clínicas de especialidades são lugares de atenção à saúde onde se podem buscar ajuda e tirar muitas dúvidas sobre o nosso corpo e nossa sexualidade. Médicos, profissionais de enfermagem, psicólogos são profissionais que poderão orientar dando atenção às dúvidas e angústias.

Hebiatria: especialidade da medicina que atende adolescentes. O hebiatra é um médico clínico geral especializado em adolescentes. Além do aspecto físico, ele esclarece dúvidas e orienta sobre aspectos comportamentais e emocionais, assuntos relacionados a sexualidade, nutrição, atividade física, drogas, vacinas, crescimento e desenvolvimento, entre outros.

É importante lembrar que, no Brasil, adolescentes têm direito à privacidade no atendimento médico, ou seja, podem solicitar atendimento sem estar acompanhados pelos pais ou outro adulto. Com base nos artigos de saúde assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os departamentos de bioética e adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam que “o adolescente, desde que identificado como capaz de avaliar seu problema e de conduzir-se por seus próprios meios para solucioná-lo, tem o direito de ser atendido sem a presença dos pais ou responsáveis no ambiente da consulta, garantindo-se a confidencialidade e a execução dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos necessários. Os pais ou responsáveis somente serão informados sobre o conteúdo das consultas, como por exemplo, nas questões relacionadas à sexualidade e prescrição de métodos contraceptivos, com o expresso consentimento do adolescente”.

Há ainda livros e sites muito interessantes dos quais podemos encontrar diversas informações de qualidade. Mas é sempre importante ter certeza de que se trata de um material legal, não preconceituoso, e discutir seu conteúdo com outras pessoas.

Desenvolvimento do corpo, funcionamento dos órgãos genitais, gravidez, DST/aids, prevenção, puberdade, hormônios, métodos contraceptivos são alguns dos temas que geram insegurança e preocupação ou simplesmente curiosidade. Procurar esclarecer essas dúvidas e reduzir a insegurança nos ajuda a tomar decisões conscientes e fazer de nossas escolhas momentos de prazer e realização.

Saiba mais:

Programa Adolescer: www.bemvindo.org.br

 

 

Ver +

2 Comentários

  • Ops: Onde se lê onismo, deve ser lido onanismo.

  • Eu indico o livro “História da Sexualidade I- A vontade de saber, de Michel Foucault, no capitulo II, o autor aborda de forma muito provocante os discursos produtores de verdades que dão exclusividade do assunto sexualidade ao quarto dos pais, da aversão ao onismo, repúdio á homossexualidade e de várias outras manifestações de sexualidade alternativa, uso esse livro na minha disciplina de mestrado: Relações de Gênero, Sexualidade e Direitos Humanos, pelo Promusp, o livro todo é encantador, mas nesse capitulo sobre a Teoria Repressiva, fala-se sobre os mecanismos que garantem a “verdade” da opção não falar sobre… seria bom que todos interessados dessem uma olhada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *