Existirmos a que será que se destina?

Para minimizar os riscos de dar existência a nossa singularidade muitos indivíduos criam disfarces que fazem com que eles se afastem de si mesmos, o famoso ctrl+c e ctrl+v, mas isso é sobreviver, e não existir!

Por Reynaldo de Azevedo Gosmão

Cajuína é música-poema de Caetano Veloso, que nos alça a uma grande questão: Existirmos a que será que se destina? Podemos reformular a questão a partir da psicanálise:

Resistirmos a que será que se destina? RESISTIR? RE- existir? Existir? O que de novo pode surgir quando se existe?

Fernando Pessoa no seu poema: Nunca Aprendi a Existir, aponta: “Vem a fala e falo-eu-outro”, para minimizar os riscos de dar existência a nossa singularidade muitos indivíduos criam disfarces que fazem com que eles se afastem de si mesmos, o famoso ctrl+c e ctrl+v, mas isso é sobreviver, e não existir!

O problema aqui não são as defesas; precisamos delas e faz parte da “pedra angular de um tratamento analítico”, mas é preciso querer saber o que se é, se você não quiser… nada acontecerá. E isso pode ser o seu jeito de ser singular. Decidir ficar onde está, agir da mesma maneira e não se reinventar é uma escolha.

Como afirma Fernando Pessoa: “Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida”.

Para existir, é necessário querer atravessar o que resistimos; e não sejamos ingênuos, fazer existir, ser singular é também lidar com o mundo imperfeito das coisas. Como bom mineiro, digo: rapadura é doce, mas não é mole não!

Imagem destacada: Kristopher Roller on Unsplash

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