Estudantes criam guia para valorizar a história da cidade de Canudos

O guia tem como objetivo tanto auxiliar no turismo quanto informar moradores da comunidade sobre a importância de Canudos na história do Brasil

Por Jéssica Moreira

O que você sabe sobre a cidade de Canudos, no interior Bahia? Falar sobre Canudos é dar luz à história de resistência do povo do sertão nordestino. Em meados de 1890, liderada por Antônio Conselheiro, a população sertaneja passou a lutar por sua liberdade em contraponto à República dos coronéis e latifundiários, o que, infelizmente, resultou em um dos maiores conflitos do Brasil, deixando muitos mortos e uma comunidade destruída.

Para trazer para os dias atuais a memória de resistência e a importância do local para o país, os estudantes do Colégio Estadual Luís Cabral resolveram criar, em 2018, o “Guia do Patrimônio Histórico e Cultural de Canudos”, um dos projetos que receberam menção honrosa no Desafio Criativos da Escola de 2019.

Ao visitar os pontos turísticos para uma atividade da aula de História, os meninos e meninas notaram algo estranho: embora os habitantes fossem abertos ao turismo, eles próprios ainda não conheciam os espaços culturais do local.

“A gente deu início ao projeto para as pessoas ficarem mais curiosas, visitarem mais os pontos [turísticos] e conhecerem nossa história, porque ela é linda e nós queremos mostrar isso para todo mundo”, conta Iriane Nogueira, já egressa da escola, à época no 2º do Ensino Médio.

Página do “Guia do Patrimônio Histórico e Cultural de Canudos”, produzido por estudantes da região/Divulgação

O guia é, basicamente, um livro que contém todas as informações sobre os pontos históricos, o que pode servir tanto para os que visitam os locais, quanto para a comunidade. A diferença para outros guias é que este é produzido por estudantes que vivem na localidade e ouviram a comunidade para confeccionar o material.

Dentre os objetivos, estava a preservação e divulgação dos patrimônios históricos, como o Parque Estadual de Canudos, as ruínas da igreja velha, o Museu de Canudos Velho e o Memorial Antônio Conselheiro, que também oferece atividades sociais para o povo canudense.

“Nosso desejo era valorizar a história do nosso imaginário popular, as nossas raízes e, principalmente, os locais históricos”, complementa Maria Bethânia, professora de história e orientadora do grupo, que conta que havia muitos espaços nunca antes visitados pelos estudantes.

Integrantes do projeto Guia do Patrimônio Histórico e Cultural de Canudos / Divulgação

Caminhando pela história

Uma das primeiras etapas da iniciativa foi realizar caminhadas pelas ruas da cidade e, assim, possibilitar momentos de escuta junto entre os alunos e moradores. “Me aproximei e conheci melhor a cidade. A gente entrou literalmente na lama para conseguir fazer entrevistas”, relembra a estudante Vitória Pimentel, também do 2º ano do Ensino Médio na época.

Os meninos e meninas envolvidos na iniciativa também mergulharam em diversos bibliografias, pesquisas em sites e mesclaram a pesquisa sobre os patrimônios culturais de Canudos ouvindo as pessoas da localidade.

Segundo a professora, o processo de visita aos espaços e também as conversas junto à população possibilitaram aos alunos momentos mais vívidos, uma vez que tiveram que sair da sala de aula e interagir tanto com os espaços quanto com as pessoas.

“Eles tinham que ter o contato visual para saberem como escrever sobre sua própria história. Às vezes, a gente sabe [a nossa história] pelos livros, mas não tem o contato direto. O projeto influenciou muito na discussão de história e memória porque muitos daqueles alunos que estavam ali eram descendentes de conselheiristas – aqueles que seguiam os passos de Antônio Conselheiro”, explica.

Integrantes do projeto apresentam o Guia em feiras estudantis da Bahia/Divulgação

Iriane conta que o projeto permitiu que ela conhecesse ainda mais sobre a história da cidade. “Nós, habitantes de Canudos, sabemos o básico, mas não com muita profundidade. Tinham histórias sobre alguns artistas ou sobre a guerra que eu não sabia o que significava. Eu aprendi praticamente tudo e estou tentando repassar para todos que estejam interessados”, diz, orgulhosa.

O projeto foi apresentado em feiras estudantis da Bahia e também em exposições na própria escola. Agora, aguardam por alguma parceria na própria cidade, para assim conseguirem distribuir mais exemplares do guia para a comunidade.

Texto originalmente publicado no site dos Criativos da Escola, em março de 2020.

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