Estratégias Utilizadas nos processos do Coletivo

Aqui traremos as estratégias utilizadas por nós durante o processo de organização e atuação com os grupos de jovens participantes do Coletivo LafaMob para incentivar o engajamento das juventudes

Por Wanderson Martins

Na construção do Coletivo LafaMob, através da experimentação, sensibilidade e análises, elaboramos na prática algumas estratégias para lidar com as demandas que surgiram durante a empreitada a qual nos dispusemos, a fim de fomentar o engajamento cidadão entre a juventude de Conselheiro Lafaiete/MG. 

A proposta inicial do coletivo é a criação de espaços colaborativos que conectem pessoas e ideias de impacto social, ou seja, promover o encontro entre indivíduos diversos e dispostos a doar energia em prol do aprendizado mútuo e da construção de ações coletivas.

Existem vários grupos de ações sociais e culturais construídos por jovens ou para jovens agindo em Conselheiro Lafaiete, que acabam tendo sua potência minimizada por formarem ‘bolhas sociais’ que fazem com que estes grupos não se comuniquem entre si.

Tendo em vista essa questão, com o objetivo de maximizar os impactos desses grupos e mobilizar jovens ainda não engajados, surge a ideia dos Espaços Colaborativos. Estes espaços seriam locais de encontro entre representantes de projetos voltados para a juventude atuantes na cidade (mas não restrito a eles), onde possam trocar experiências, contribuir para a produção de conhecimento, promovendo o contato orgânico e sensível entre jovens de classes sociais distintas que, com potencialidades e formas tão diversas, experienciam as realidades distintas das regiões de Conselheiro Lafaiete.

Logo o coletivo se torna também uma ótima ferramenta de comunicação com a sociedade jovem, por organizações institucionalizadas como o Conselho Municipal de Juventude.

Como atividade, fomentamos rodas de conversas de cunho teórico, para assim alinharmos objetivos e conhecer melhor os integrantes, e abrindo o leque de possibilidades para que, além de teorias, possamos trabalhar também técnicas que possam contribuir de forma prática para lidar com limitações pessoais, como dinâmicas, que são muito úteis para melhoria da oratória, dicção e desinibição para falar em público.

Uma informação importante para essa experimentação com espaço colaborativo  é um estudo – encomendado pela Google e pela Fundação Futuro – atestando 81% de relação positiva entre colaboração e inovação, visando também a sustentabilidade da organização.

Imagem  mostra peças de um jogo quebra cabeças coloridas empilhadas sobre madeira.
Imagem de congerdesign por Pixabay 

Segundo a consultoria Suíça Ecloo, há, basicamente, 5 estágios, a saber:

#1 DOMINÂNCIA

Nesse estágio, comum em organizações hierarquizadas compostas por líderes-heróis, as decisões comumente são tomadas de modo unilateral, oferecendo ao grupo somente a opção de seguir ordens, sem colaborar com ideias.

#2 TERRITORIALIDADE

Aqui, a maior parte das informações não é compartilhada com o grupo, cada área trabalha isoladamente, apresentando baixo nível de interação com outros setores.

#3 COOPERAÇÃO

Nessa fase, os colaboradores começam a tomar conhecimento e a interessar-se sobre o trabalho dos demais, percebendo que todos fazem parte de uma estrutura orgânica e que compartilham processos e possuem metas em comum para os resultados da organização.

#4 COLABORAÇÃO

Agora o grupo já trabalha tendo uma visão compartilhada e visando ao bem maior da organização, abrindo mão de interesses mais individuais. Ambientes como esse já não são tão fortemente hierarquizados e sua cultura é mais circular, envolvendo os colaboradores em todas as etapas dos projetos.

#5 ECLOSÃO

Nessa etapa, a organização trabalha em ampla colaboração entre seus diferentes atores, incluindo colaboradores, clientes, fornecedores e, muitas vezes, até mesmo outras organizações que se percebem como parceiras, a fim de criar um impacto social mais eficaz.

No livro “De onde vêm as boas ideias”, apesar do contexto meramente empresarial, Steve Johnson aponta que as ideias surgem de “conexões”. A conexão e a interação com outras pessoas estimulam a criação de ideias novas e transformadoras.

Em ambientes colaborativos, essa troca está constantemente sendo estimulada e, portanto, esses ambientes são os melhores espaços para a inovação. Além disso, os espaços colaborativos podem aumentar a produtividade e a satisfação dos colaboradores, que sentirão que, de fato, exercem um papel fundamental nos processos e, ao serem ouvidos, se sentirão mais valorizados, sendo uma boa estratégia, tanto numa empresa quanto para utilização num coletivo de ações sociais que é  nosso caso.

A proposta visa provocar o estímulo mútuo entre o grupo e extrair o melhor de cada membro da equipe para tratar suas dificuldades e desenvolver suas potencialidades, através do diálogo, e da educomunicação.

Optamos por nos reunir ocupando espaços públicos urbanos da cidade, com o propósito de tornar mais inclusiva a participação das juventudes. Já que é um ambiente ao ar livre, não exige a utilização de roupas específicas (vários ambientes estatais não permitem a entrada com chinelos e bermuda por exemplo, o que é totalmente excludente).

O nosso coletivo visa promover assim um ambiente acessível que conecta jovens independente de cor, tribo, bairro ou classe social, onde essa diversidade é incentivada e vantajosa para o grupo.

Com a crise sanitária provocada pela COVID-19, seguimos e propagamos as recomendações da OMS para o distanciamento social. Com a impossibilidade de nos reunirmos fisicamente, nossos esforços agora se concentram na busca pela ressignificação dos nossos processos, e no contato virtual que seria um suporte para o agendamento de encontros, o compartilhamento de textos em PDF e própria divulgação do coletivo. Assim, o ambiente virtual acaba protagonizando nossas interações como forma de manter o coletivo ativo.

Baseado neste novo contexto, exploramos as possibilidades disponíveis nas plataformas digitais, utilizando-as para a comunicação entre o grupo e construindo narrativas para disputar este espaço on-line.

Uma das ações executadas durante este processo foi a criação da Rede Solidária, campanha colaborativa da qual já falamos aqui. Neste processo, as reuniões por vídeo-chamada reduziram os impactos do isolamento e, por mais que limitado, nos proporcionam um momento de troca e de conversas mais diretas.

Dessa forma, redes sociais como o Instagram se tornaram nossa principal forma de comunicação com a população no geral, onde culminam as iniciativas propostas nos grupos e subgrupos criados no WhatsApp para a divisão de tarefas e organização das demandas.

Essa ação prática de criação e desenvolvimento da campanha tem sido, de fato, uma estratégia que vem gerando ótimos resultados através do desenvolvendo habilidades pessoais, como o aprendizado de utilização de ferramentas e softwares, produção de conteúdo para a divulgação da campanha, a comunicação para conseguir o apoio de empresários e também do próprio poder público. São conhecimentos que futuramente podem ser oferecidos para outros jovens como conteúdo de formação.

Promover a campanha rede solidária é uma ação importante pois acredito que dessa maneira nos aproximamos de pessoas que ainda não conhecem o coletivo, e também ajuda no desenvolvimento pessoal de cada um dos integrantes. – Esther Caroline, 17 anos, integrante do coletivo Lafa Mob

A regra é não ter muitas regras. Quanto mais o líder tenta controlar as pessoas, menos criativas elas tendem a se tornar. O segredo do sucesso, para nós, é encorajar a equipe a agir criativamente como um grupo e não atrapalhar esse processo pela necessidade de alguma forma de controle.

Assim como nosso coletivo, nossas estratégias ainda não estão concluídas, e a cada dia e nova situação precisaremos nos adaptar e buscar outras novas formas de fomentar o engajamento entre a equipe. Porém espero que esse material possa servir de inspiração para outros grupos, pessoas, jovens e qualquer um que queira contribuir de alguma forma para o senso de comunidade e cidadania.

Ver +

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *