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ESPIRITUALIDADE

No artigo V da série dos valores afro brasileiros, Lu Fortunato escreve sobre o valor ESPIRITUALIDADE. Discute as formas possíveis da construção desse valor na sociedade e que nem sempre se relaciona com religião.

Por Lu Fortunato 

O que dizer daquele romance sobre a pandemia que enfrentamos hoje, mas escrito anos antes, ou sobre tecnologias agora corriqueiras, mas totalmente impossíveis quando o livro foi publicado? O que pensar da obra de arte que hoje a gente vê sem entender nada, e tempos depois é decifrada como prenúncio exato de uma descoberta da ciência?

Incrédulos desqualificam como mera coincidência, impressionados creem ser o sobrenatural.

Seja como for, Melissa Tobias, Aldous Huxley e Tomie Ohtake compartilham bem em suas obras a definição de artista. Nos termos do poeta norte-americano Ezra Pound, artistas são antenas da raça; quem tem olhos de ver percebe que o artista é meio oráculo, que a obra de arte pode ocultar profecias. No contexto da arte, a criatividade pode ser porta da espiritualidade, a inspiração nada mais é do que aquilo que ouvimos quando nos fala a voz da musa.

Embora eu a veja como relação a uma divindade, a espiritualidade nos mostra que o divino tem muitos rostos – de Buda, de Cristo, de Maat ou o seu. Na perspectiva afro referenciada, a espiritualidade dialoga mais diretamente com a ancestralidade e por isso dispensa religiosidade.

O religare de que trata a religião não tem qualquer sentido aqui, já que nunca perdemos a conexão com os vestígios concretos e abstratos que os parâmetros de antepassados deixam em nós.  Os ancestrais estabelecem nossa tradição, nossos valores, e para manter viva nossa identidade, recuperamos os saberes e experiências dos que vieram antes de nós.

Como veremos sobre espiritualidade, a ancestralidade também repercute como ciência, e essa constatação fica mais evidente com as descobertas da epigenética, ou seja, das características que uma geração herda da outra não por conta do DNA, mas das alterações químicas e proteicas disparadas por impactos dos hábitos de vida e do ambiente social de nossos antepassados para nós.

A ancestralidade é igualmente profunda e interessante, e por isso mesmo merece também um artigo à parte.  Voltemos então à espiritualidade. A espiritualidade já tem existência reconhecida pela ciência, inclusive como práticas sustentadas em cursos de medicina da Universidade de São Paulo, com medidas alternativas comprovadamente eficazes de promoção da cura.

E vai além: o cientista russo Pjotr Garjajev descobriu que habilidades tidas apenas como dons espirituais estão disponíveis em todo ser humano por estarem dentro de nosso DNA, de modo a fazer de nós um biocomputador capaz de telepatia, irradiação, contato interdimensional, clarividência, cura e autocura.

Antes tida pela ignorância como feitiçaria ou simplesmente loucura, hoje a espiritualidade caminha para ser reconhecida como ciência pura.

Ser sacerdote ou cientista não é coisa pra todo mundo, mas espiritualidade qualquer um pode exercer, dispensa religião e objetiva um jeito secular de transcender. Quer seja na reza, na oração, no mantra ou na meditação, a espiritualidade prepara o terreno do seu cérebro para a educação.

Aplicada em sala de aula, as técnicas de espiritualidade inserem nossa mente em estados de relaxamento que aumentam o equilíbrio emocional e o autoconhecimento, reduzem o stress, promovem a empatia, fortificam a cultura da harmonia e aumentam a concentração, de modo a possibilitar melhor desempenho na relação ensino-aprendizagem.

Graças a uma ignorância ainda resistente, nossa sociedade alimenta preconceitos e se fecha para as possibilidades desse admirável mundo novo, e infelizmente promove intolerâncias cada vez mais numerosas e mais nocivas que privam nossa humanidade de avanços inimagináveis; é a idade média em pleno século XXI.

São cada vez mais recorrentes as denúncias de intolerância religiosa, com sucessivas depredações de espaços de culto; infelizmente raras são as instituições de ensino que nunca tiveram que lidar com agressões dirigidas à expressão de credo de alguém na comunidade escolar; o direito à liberdade de credo deve ser respeitado, mesmo nas escolas confessionais – afinal, a lei é para todos.

Experimente separar um tempo do seu dia para apenas contemplar belezas, mentalizar felicidade, ou mesmo para entregar a Deus sua ansiedade numa reza ou oração; tire de si esse peso e se permita os benefícios dessa elevação.

Lu fortunato é dramaturgo do grupo MovaNos. Quer conhecer mais o trabalho do Grupo MovaNos? Acesse a página deles no Facebook. Quer falar com eles? Envie um e-mail para movimentonosso@gmail.com

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