Joseph Redfield Nino por Pixabay

Esperanças para o Ativismo Juvenil pós Covid19

Esperanças para o Ativismo Juvenil pós Covid-19, traremos uma visão sobre a pandemia, e os impactos produzidos por esta crise sanitária no engajamento cidadão dos jovens.

Por Enrico Lopes

O tema desse último artigo são as nossas esperanças para um futuro pós Covid-19, mas, para entender e projetar o futuro, precisamos conhecer e aprender com o passado. Cabe salientar, de antemão, que pandemias e epidemias não se tratam apenas de crises sanitárias, mas também crises políticas e em várias outras esferas da vida.

Os séculos XIX e XX foram os mais afetados por epidemias, sendo a Gripe Espanhola a mais conhecida dentre elas. Contaminando cerca de ¼ da população mundial, as medidas de higienização executadas pelo Estado não eram apenas para evitar o contágio, mas também pra excluir e expulsar a população pobre das cidades, visando criar um novo, e elitizado, espaço urbano.

Em muitos desses períodos de epidemias, as autoridades primeiro negavam a gravidade do problema e mencionavam que tudo aquilo não passava de histeria coletiva. Também houve a criação de várias teorias sobre a forma do contágio, que propiciou o surgimento de vários cientistas que negavam sobre a real eficiência da quarentena e isolamento social. 

Não apenas o parágrafo acima se parece muito com os dias atuais, mas a postura política dos líderes da época também se assemelha com as de hoje.

Vendo uma iminente perda econômica decorrente do isolamento social, os líderes assumem uma postura negacionista da gravidade do problema, acarretando, assim, em um maior contágio e, consequentemente, em um maior número de mortos. Uma catástrofe total.

O resultado dessa política baseada em achismo, não em evidências, alavanca um problema que já assola o país a décadas,  principalmente no âmbito da juventude: a desigualdade social.

O abismo gerado pelas políticas públicas (ou a falta delas) durante a pandemia do Covid-19 abrange todas as áreas da vida, seja a financeira, para ter acesso às necessidades básicas; seja na área da saúde, com falta de leitos e informação para a população; ou seja na educação, na qual os alunos de escolas particulares e que possuem uma melhor estruturação em casa possam ter acesso a educação continuada.

A educação continuada consiste nas pessoas aproveitarem oportunidades diversas dos canais formais de educação, como as salas de aula, para aprender ainda mais, seja por meio de jornais, revistas, trabalho, estágio, até mesmo no lazer ou em uma conversa com os pais.

A discrepância dos resultados dos alunos da rede pública de educação para os alunos da rede privada se dá majoritariamente pela diferença na qualidade e acesso a educação continuada. Com o isolamento social e a dificuldade da implementação de aulas on-line da rede pública de ensino, essa diferença ficará mais notável ainda, sendo que os jovens de famílias vulneráveis não têm, ou têm muito pouco, acesso à essas fontes de informação.

A implementação do EAD também propicia um distanciamento do relacionamento aluno-professor, na qual muitas vezes o horário de estudo diverge do horário o qual o professor pode sanar as dúvidas, ou até mesmo o modelo de aula não permite uma integração ideal dos alunos.

Tendo em vista isso, esse problema se torna o maior desafio que tomamos para nós tanto no durante Covid-19, quanto no pós Covid-19, tornar a internet um espaço de colaboração para tentar engajar o público jovem visando reduzir os impactos provocados por esse distanciamento.

Sabendo que essa é a única maneira, no momento, todas as nossas ações foram realizadas por este meio e todas foram mencionadas nos artigos anteriores:

O grande fator que impede que essas ações sejam de fato efetivas é que o mundo virtual traz à tona e amplifica todas as desigualdades do mundo real, ou seja, a dificuldade que tínhamos, antes, de agregar jovens de todas as classes sociais fica ainda mais impedida pelo fato deste ser o único meio disponível para isso nesse momento.

Nossa esperança para um pós Covid-19 é apostar e acreditar na potência das coletividades, da juventude unida, e usar dessa potência para alcançar aqueles que, de alguma forma, ficaram prejudicados por essa quarentena.

Usando e abusando do nosso direito à cidade, utilizando dos espaços públicos, queremos integrar ainda mais todas as juventudes de nossa cidade, ter voz e poder, sempre visando somar com cultura, lazer, política e informação para esses jovens, pleiteando nossos direitos e correndo atrás do prejuízo deixado por essa pandemia, que é um abismo social cada vez mais evidente.

Esse artigo encerra a série de artigos que nós, do Lafamob, fizemos para a AJN. Para nós é uma honra imensa vir até aqui relatar um pouco de nossa experiência e desafios, tendo em vista que somos um grupo bem novo, e poder motivar e incentivar todos os leitores a se posicionarem de forma semelhante diante a nossa sociedade.

Gostaria de agradecer a todos que nos deram essa oportunidade e os que acompanharam nossa jornada aqui, além de convidá-los para, caso desejem conhecer mais sobre nossa atuação, nos acompanhem em nossas redes sociais: LAFAMOB; PERMALAFA; MANIFESTO JOVENS POLÍTICOS ;  SLAM ATIVISTA .

Imagem mostra a sombra de um grupo de pessoas lado a lado assistindo um pôr-do-sol.
Joseph Redfield Nino por Pixabay

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Arte em fundo branco. Linhas finas coloridas à esquerda e foto de um jovem branco de barba e óculos. Texto: "Enrico Lopes. 22 anos. Estudante de Direito, aluno do RenovaBR e membro do LafaMob. @enricolopescba" - logos instagram e twitter.

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