Especial Migrações #03: Refugiados no mundo – tendências globais

Por Mariano Figuera e Mona Perlingeiro. Supervisão: Pedro Neves | Núcleo Migrações AJN

O mais novo relatório de tendências divulgado pelo ACNUR, a agência das Organizações Unidas para a questão dos refugiados traz dados importantes para entender a gravidade da crise migratória do nosso tempo. Vamos nos debruçar sobre alguns destes dados ao longo deste texto.

Mesmo diante da pandemia da COVID-19, o número de pessoas fugindo de guerras, violência, perseguições e violações de direitos humanos em 2020 subiu para quase 82,4 milhões, de acordo com a última edição do relatório anual do ACNUR, “Tendências Globais”, divulgado dia 18 de junho de 2021 em Genebra. O novo número é 4% maior que os 79,5 milhões registrados ao final de 2019 – maior número verificado até então.

O relatório mostra que ao final de 2020 havia 20,7 milhões de refugiados sob o mandato do ACNUR, 5,7 milhões de refugiados palestinos (sob o mandato da agência UNRWA) e 3,9 milhões de venezuelanos deslocados fora do seu país.

Outras 48 milhões de pessoas foram categorizadas como deslocadas internas – ou seja, dentro dos seus próprios países. Adicionalmente, 4,1 milhões de pessoas estavam sob a categoria de solicitantes do reconhecimento da condição de refugiado. Estes números indicam que apesar da pandemia e dos pedidos de cessar-fogo, os conflitos continuam a expulsar pessoas de suas casas.

Meninas e meninos com até 18 anos de idade representam 42% de todas as pessoas forçadas a se deslocar. Eles são especialmente vulneráveis, ainda mais quando as crises perduram por muitos anos. Novas estimativas do ACNUR mostram que quase 1 milhão de crianças nasceram como refugiadas entre 2018 e 2020. Muitas delas deverão permanecer nesta condição nos próximos anos.

O relatório do ACNUR nota ainda que durante o pico da pandemia em 2020, mais de 160 países fecharam suas fronteiras, com 99 deles não fazendo qualquer exceção para pessoas em busca de proteção internacional.

Com a adoção de algumas medidas, como checagem médica nas fronteiras, certificados de saúde ou quarentena temporária, procedimentos simplificados de registros e entrevistas remotas, mais e mais países encontraram maneiras de assegurar o acesso a procedimentos de asilo e manter o controle da pandemia.

Enquanto as pessoas continuam sendo forçadas a fugir cruzando fronteiras internacionais, muitos milhões delas encontram-se deslocadas dentro de seus próprios países. Devido a crises principalmente na Etiópia, Sudão, países do Sahel, Moçambique, Iêmen, Afeganistão e Colômbia, o número de deslocados internos cresceu em mais de 2,3 milhões de pessoas.

Ao longo de 2020, cerca de 3,2 milhões de deslocados internos e apenas 251 mil refugiados retornaram para seus lares – uma queda de 40% e 21% respectivamente, se comparado com 2019. Outros 33.800 refugiados foram naturalizados por seus países de acolhida.

O reassentamento de refugiados registrou uma queda drástica: apenas 34.400 refugiados foram reassentados no ano passado, o menor nível em 20 anos – uma consequência da redução de vagas para reassentamento causada pela COVID-19.

Relatório do ACNUR “Tendências Globais 2020” – principais dados:

  • 82,4 milhões de pessoas forçadas a se deslocar em todo o mundo (79,5 milhões em 2019) – crescimento de 4%;
  • 26,4 milhões de refugiados, sendo:
  • 20,7 milhões de refugiados sob o mandato do ACNUR (20,4 milhões em 2019);
  • 5,7 milhões de refugiados palestinos sob o mandato da UNRWA (5.6 milhões em 2019);
  • 48 milhões de deslocados internos (45,7 milhões em 2019);
  • 4,1 milhões de solicitantes do reconhecimento da condição de refugiado (4,1 milhões em 2019)
  • 3,9 milhões de venezuelanos deslocados fora do seu país (3,6 milhões em 2019);
  • 2020 é o nono ano de crescimento ininterrupto do deslocamento forçado no mundo. Hoje, 1% da população global encontra-se deslocada e há duas vezes mais destas pessoas que em 2011, quando este número estava abaixo de 40 milhões.
  • Mais de dois terços de todas as pessoas refugiadas vieram de apenas cinco países: Síria (6,7 milhões), Venezuela (4 milhões), Afeganistão (2,6 milhões), Sudão do Sul (2,2 milhões) e Mianmar (1,1 milhão).
  • A vasta maioria das pessoas refugiadas do mundo – quase nove em cada dez (ou 86%) – estão acolhidas em países vizinhos às crises e que são de renda baixa ou média. Os países menos desenvolvidos acolheram 27% deste total.
  • Pelo sétimo ano consecutivo, a Turquia abriga a maior população de refugiados no mundo (3,7 milhões de pessoas), seguida pela Colômbia (1,7 milhão, incluindo venezuelanos deslocados fora do seu país), Paquistão (1,4 milhão), Uganda (1,4 milhão) e Alemanha (1,2 milhão).
  • Pedidos de asilo pendentes de análise no mundo permaneceram nos níveis de 2019 (4,1 milhões), sendo que o ACNUR e os países registraram (dentro deste total) 1,3 milhão de novas solicitações (1 milhão – ou 43% – a menos que em 2019).

O dia 20 de junho é o Dia Mundial do Refugiado. Data aprovada pela ONU e dedicada à conscientização sobre a situação dos refugiados em todo o mundo. No Brasil, dia 25 de junho é o Dia do Imigrante. Para marcar estas duas datas, o Núcleo Migrações da AJN produziu uma série de conteúdos relacionados à questão. Serão textos publicados nos idiomas português e espanhol e peças para as redes sociais. Acompanhe o Especial Migrações da Agência Jovem!

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