Entender, perguntar e debater. A luta pelos direitos do adolescente

Texto e imagens: Pedro Neves, da Redação 

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A Escola da Vila, uma instituição privada de ensino que procura desenvolver o senso crítico e expandir o conhecimento de seus alunos através de uma visão mais ampla de mundo e sociedade. Mas é Fransisco Bodião, o Chicão, orientador educacional, que leva a ideia para fora das quatro paredes. Ele começou sua trajetória na Vila nos anos 90 e, desde então, procura virar a escola para a comunidade, interagindo o ensino privado com o público.

Nesse cenário, aconteceu no último dia 24 (quarta feira), um evento que faz parte do ciclo de debates sobre a redução da maioridade penal, tema em destaque e de suma importância para os jovens do Brasil. O Grêmio Livre, em parceria com o Coletivo Foca e o CCA Gracinha e Sinhazinha, juntou especialistas e militantes para falar e discutir sobre o assunto.

Quem foi?

No auditório lotado da Escola da Vila, juntaram-se adolescentes do CCA São Gabriel, São Miguel, São Matheus e Clarice, as escolas Etigoi, Ieda, Paulo VI, José de Alcântara e Tarsila do Amaral, além dos próprios estudantes da Vila.

A banca de convidados contava com nomes importantes na luta contra a redução, como Ariel de Castro, advogado e especialista em políticas de segurança pública, Givanildo Manoel, educador e militante dos direitos da criança e do adolescente, Paula Nunes, advogada e técnica de medidas socioeducativas e João Bosco, psicólogo na Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

O que rolou?

O debate começou com um vídeo de personalidades como Datena, Ratinho, Coronel Telhada e Raquel Sheherazade falando que a redução é a solução dos problemas. Eles indagavam sobre a violência e a falta de punição dos jovens pelos crimes que cometeram.

De maneira bem didática e descontraída, os convidados se apresentaram e mostraram dados e números sobre a situação do adolescente no Brasil. “Um menor com cigarro de maconha no bairro do Morumbi é traficante, já o adolescente é usuário. Os crimes hediondos cometidos por eles representam apenas 0,05% do total”, disse Paula Nunes. “No nosso país, você só é alguém se tem determinada coisa, precisamos mudar esse cenário e dar condições aos jovens”, completa.

Casos simples e rotineiros em escolas particulares são graves em colégios estaduais e públicos, como conta João Bosco: “Não é uma questão de justiça ou injustiça, é uma luta de poderes. Existe o mais e o menos favorecido. Uma briga é caso de polícia em uma escola, na outra é caso de uma advertência”, conta. O educador Givanildo foi além: “As figuras do congresso nacional punem e culpam os que deviam ter uma escola com educação de qualidade”.

Dos nomes que estavam na banca, com certeza Ariel de Castro foi o que trouxe pontos mais diretos e consequências das medidas. Ele falou da falta de dados, como a população sabe muito pouco sobre as punições que já acontecem, além das contradições da redução. “Números mostram que a maioria a favor da medida pertence a uma classe menos favorecida, sendo que eles são os mais atingidos com a proposta”, provoca. “Não é com violência que solucionamos violência. A grande mídia acaba distorcendo os fatos e atingindo seu público alvo”, completa.

Os alunos também tiveram a oportunidade de fazer perguntas, a maioria girou em torno do que acontece com o jovem na Fundação Casa e nas medidas socioeducativas, além dos outros problemas que a medida acarretaria, como tirar carteira de motorista e comprar bebida alcóolica.

E agora?

É de suma importância que programas e eventos como esse aconteçam para debater o tema, informando, aprendendo e criando uma opinião. Como remeteu Ariel sobre uma frase famosa de Nelson Rodrigues: “O senso comum é burro”. Recentemente a Datafolha soltou uma pesquisa onde 87% da população é a favor da redução, porém, o que não circula na mídia é que dentro dessa grande maioria 43% ganha até 1.500 reais por mês. Ou seja, quem mais sofre com a medida é quem menos tem acesso à informação. No dia 30 de junho acontece a votação da emenda à Constituição que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, um dia que vai marcar a história da luta contra o retrocesso no Brasil. Mobilize-se! 

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