Enquanto isso, não tão distante, no mesmo Brasil

Estamos em guerra por toda parte, mas a regra é não fazer alarde para que as outras cidades não queiram ocupar também

Por Paolla Menchetti, jovem comunicadora
Imagem: jornalismomob

Por acaso do destino, viajei para Porto Alegre e na primeira noite me deparei com uma cidade em guerra, já por volta de sete meses em luta. Milhares de pessoas foram às ruas reivindicar seus direitos e Porto Alegre foi uma das primeiras cidades a conquistar a revogação da tarifa do transporte público. A Câmara dos Vereadores foi ocupada do dia 11 de julho à quinta feira passada, dia 18 de julho; muitas pessoas viveram dias em harmonia naquele local público.

Organizados em grupos de trabalho – como o de alimentação, recepção e acolhimento, limpeza, feminista/mulheres, entre outros – os participantes da ocupação mantiveram a ordem necessária para se viver em uma sociedade utópica, pois era isso o que ocorria lá. Cada um contribuía com o que fazia de melhor: havia pessoas cozinhando, desenhando, limpando, escrevendo relatos, tocando instrumentos musicais, lendo, dançando, conversando, fazendo a “segurança”. Papeis diversos eram desempenhados, onde a democracia real era a lei da vez.

Ocorriam três assembleias por dia, as bandeiras da Câmara foram trocadas por bandeiras que representavam a ocupação, barracas ocuparam os espaços vazios, cadeiras dos vereadores foram ocupadas. “A Galera viu a importância que tem a unidade”, relatou um jovem estudante de Ciências Sociais. Os cidadãos realmente se apropriaram da Câmara na luta pelo passe livre para estudantes, idosos, desempregados, quilombolas e indígenas.

Parte da sociedade ocupou, mas faltava algo. Faltava o POVO e, como esperado, ele não estava lá. O POVO haveria de ir ao trabalho, o POVO estava muitas vezes adormecido enquanto outros, com insônia, lutavam por seus direitos. Porém, surgem questionamentos. Passaram-se oito dias de ocupação e o prefeito José Fortunati anunciou depois da saída dos manifestantes que o projeto protocolado no Legislativo não deve ter andamento no Executivo.

Novamente os cidadãos são enganados. Temos que lutar para haver diálogo entre sociedade civil e nossos representantes? Se não houver o POVO no movimento, não há força para haver o rompimento das nossas amarras!

Cabe a todas e todos nesse momento se inquietar com essas questões e usar a nosso favor nossa maior arma que é a comunicação. Se não fosse por ela, o que aconteceu em Porto Alegre seria esquecido. Para finalizar, deixo a seguinte reflexão: estamos vivendo no mesmo país, então todos deveriam lutar pelos direitos que nos foram negados; mas não é isso que ocorre. Em Porto Alegre, há sete meses a população está organizada em um bloco de luta que aos poucos vem trazendo resultados. Em São Paulo houve atrocidades em época de atos e nesse momento tudo volta à normalidade. Fica a indignação: quem se beneficia com isso?

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1 Comentário

  • Ótimo texto, parabéns!”Povo, Polvo ” Ocupe as ruas ocupe tudo que é público, pois é assim que se conquista direitos e respeito por aqueles que se dizem nossos representantes!

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