ENCRUZILHADAS DA MUSICALIDADE

No artigo XI da série dos valores afro-brasileiros, Thawane Lima, atriz do Grupo MovaNos, discute as expressões de musicalidade africana no território brasileiro. A nossa afro brasilidade resiste e atravessa os tempos! 

Por Thawane Lima 

Venho hoje falar do valor afro civilizatório Musicalidade. Sei que alguns não conhecem, mas esse termo é bastante popularizado. Vez ou outra vemos alguém citar, falar sobre ele. Bem, eu vou explicar:

A música é um dos aspectos afro-brasileiros mais emblemáticos. E uma dessas características é que esse povo não vive sem dançar, sem cantar, sem sorrir e que constitui a brasilidade com a marca do gosto pelo som, pelo batuque, pela música, pela dança.

Mas não vamos falar de qualquer música. O nosso foco neste artigo é apresentar as músicas da nossa cultura afro brasileira lembrando que nosso país é riquíssimo em ritmos, músicas e em danças.

Vocês sabiam que a música criada pelos afro-brasileiros é uma mistura da música portuguesa, indígena e africana produzindo uma grande variedade de estilos? Se formos imaginar como se deu essa “mistura” entre os ritmos, devemos imediatamente lembrar do processo da Diáspora Africana, que foi citado em outros artigos anteriores.

Vamos ver agora alguns exemplos de músicas afro-brasileira

Maracatu Nação. Reprodução Wikipédia

Esse é o maracatu, uma típica manifestação do folclore brasileiro.

A dança tem origem africana e surgiu no século XVII, no estado Pernambucano, nordeste do país. Todo o ano, acontecem apresentações da dança nas cidades, sobretudo, em Nazaré da Mata, conhecida como a terra do maracatu.

Ijexá. Foto: Vinicius Gomes / Prefeitura Municipal de Feira de Santana/BA

O Ijexá é também um ritmo ritualístico e que tem origem africana.

O ijexá foi trazido para o Brasil pela etnia Iorubá. Esse povo chegou aqui no território nacional em condições escravizadas. No Candomblé Nagô, que ocorre na Bahia, é muito empregado nos cultos religiosos. Dedicam os cultos aos orixás Ogum e Xangô, mas na sua origem é dedicado especialmente a Xangô.

Carimbó / Reprodução todamatéria.com.br

O Carimbó é um ritmo musical da região amazônica.

Patrimônio cultural brasileiro é também um gênero de dança de roda de origem indígena, típica da região Norte brasileira. Criado no século XVII no estado do Pará, foi influenciado pela população negra (percussão e ritmo) e pelos portugueses (palmas e sopros). O nome Carimbó é oriundo do instrumento musical, um tambor artesanal utilizado nesse estilo musical, chamado de “Curimbó”.

Roda de Samba das Antigas / Reprodução Facebook

O samba surgiu no Rio de Janeiro, no começo do século XX.

É um gênero musical com que possui referenciais de origem na cultura africana, mas sua origem é brasileira e nela foram incorporados os batuques trazidos pelos negros escravizados juntos com aos ritmos europeus. A sua origem é o registro de uma imensa mistura de ritmos e tradições que atravessam a história do país. O samba organiza o pulso constante em grupos de dois, são usados instrumentação com violões, cavaquinhos e percussão variada como o pandeiro, o atabaque, o surdo, o repique de anel, o tamborim e o agogô.

Ainda existem muitas músicas afro-brasileiras que não mencionei, mas os exemplos que apresentei aqui são populares e conhecidos. Aposto que já ouviram falar de algum desses! Um conselho: Pare o que você estiver fazendo agora e faça a experiência de escutar um desses ritmos musicais, vocês vão gostar!

LEGADOS MUSICAIS

Elza Soares é uma das cantoras negras mais conhecidas no mundo. Essa mulher não é de um ritmo só, já cantou MPB, samba, bossa nova, etc. Ela tem 90 anos de idade, mas até hoje é reverenciada, canta e encanta muitos de nós com sua música e sua voz maravilhosa. Escutando sua música, aprendi e compreendi a força e o poder que a música tem. Suas letras são profundas e de palavras fortes.

Ouça aqui A MULHER DO FIM DO MUNDO, uma de suas músicas mais famosas:

Na chuva de confetes deixo a minha dor/ Na avenida deixei lá/ A pele preta e a minha voz/ Na avenida deixei lá/ A minha fala, minha opinião/ A minha casa, minha solidão/ Joguei do alto do terceiro andar/ Quebrei a cara e me livrei do/ Resto/ Dessa/ Dida/ Na avenida/ Dura/ Até/ O fim (…)

Essa é a voz do Brasil. Ela se mantém ativa cada vez mais na música, além de empoderar as pessoas com suas letras. Essa música foi lançada em 03 de outubro de 2015 pelo Selo Circos, e mistura o samba, o rock, o rap e as batidas eletrônicas. Em seu primeiro disco autoral, canta temáticas como violência doméstica, violência urbana, transexualidade, negritude e muitos outros.

Não deixem de escutar música! Música é vida, é paixão!

Ela desperta muitos sentimentos e tem o poder de transformar. Ouvindo música conseguimos expressar todos os tipos de reação que há em nós. Esse é o meu recadinho pra vocês. Nos deixem dançar, cantar, pois faremos e seremos como Elza, iremos até o fim!

Thawane Lima é integrante do Grupo MovaNos. Quer conhecer mais o trabalho deles? Acesse a página no Facebook. Quer falar com eles? Envie um e-mail para movimentonosso@gmail.com

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