Encontro Juventude na cidade: conexões possíveis

A agência jovem de Notícias realizou uma cobertura educomunicativa do encontro Juventude na cidade: Conexões Possíveis, na Vila Madalena, dia 27 de novembro deste ano, iniciativa do Programa Aprendiz Comgás (PAC). Esse encontro teve a idéia de discutir, com a metodologia do word café, três pautas super importantes para a formação durante adolescência e juventude: políticas públicas de juventude, experiências educativas, articulação de parcerias.

O cenário do evento teve uma sala fechada por paredes murais, onde os participantes poderiam recolher de um lado, os contatos dos presentes, para dialogarem fora do espaço e criarem laços de desenvolvimento e, do outro lado, durante as diversas perguntas discutidas, organizadores do evento passariam durante as mesas para recolher frases-chaves nos diálogos para serem destacadas nos murais. A abertura foi introduzida e mediada pela mestra de cerimônias Rayssa Aguiar, que é gestora do PAC. Ela explicou a importância do evento estar ocorrendo e como é importante a existência de um trabalho intersetorial entre os jovens, educadores, empresas e gestores públicos para que juntos possam promover novas iniciativas.

Em três “times”, as pessoas pulavam de mesa para mesa, construindo e desconstruindo ideias, agregando e conhecendo pessoas novas e relatando suas experiências que girassem no em torno de cada pergunta selecionada. Cada mesa possuía um anfitrião que organizava a linha de raciocínio para conseguir distribuir melhor o tempo para que todos pudessem falar. Os anfitriões tinham no final a missão de captar tudo que foi discutido e apresentar um relato sobre tudo que foi comentado, para enfim atingir o objetivo: as “conexões possíveis’’.

Nas mesas de articulações de parcerias discutiram-se assuntos muito estimulantes, como a necessidade de atenção que a juventude precisa e muito se falou que “não precisamos de dinheiro, precisamos de pessoas e matérias que fortaleçam nosso trabalho’’; era visível nas falas a capacidade de fazer e acontecer na área da cultura e desenvolvimento humano.
Foi levantada diversas vezes a necessidade de expandirmos nossas visões sociais, e foi dado o exemplo das UBS (unidade básica de saúde), das pessoas que trabalham terem o compromisso com a sociedade, de também estarem muitas vezes mais próximos da sociedade e estarem abertas aos anseios de uma nova iniciativa. Em um relato de um dos jovens da Zoocrew, foi mencionado que não existe nada perto dele para lhe dar suporte, mesmo ampliando a visão não se é capaz de enxergar nada.

O propósito de outra mesa foi juntar e aproveitar tudo de bom que já se tinha adquirido nas outras rodas e achar possibilidades de fazer com que a divulgação fosse mais eficiente. Logo surgiu a idéia de aplicativos que divulgassem os projetos e ao longo da discussão foi levantada a hipótese de usar os mecanismos que já existem, não sendo preciso criar algo novo, mas sim usar aquilo que já temos em mãos, como o facebook, Google alerta, entra outras possibilidades.

Nas mesas de experiências educativas, o foco foi conversar sobre os desafios que os projetos e a população enfrentam, como evasão dos jovens, dificuldades de comunicação com o Estado, a questão de acessibilidade informativa, principalmente na periferia, burocracia e outros. Concluímos a conversa, com um sentimento de que há uma falta de divulgação dos projetos em exercício, pois as pessoas que mais necessitam não estão informadas, logo, não participam.

Na segunda rodada, também na mesa de experiências educativas, a conversa foi centralizada nas escolas. Alunos e professores sentados cara a cara, colocando seus pontos de vista em relação ao ensino. Os principais pontos foram: a estrutura hierarquizada das escolas, a difícil conciliação entre liberdade e responsabilidade, o sistema de ensino ultrapassado para essa nova geração, as barreiras que os professores encontram para fazer uma aula diferenciada, exemplos de escolas que estão mudando a sua didática e a tecnologia como ferramenta de conhecimento.

E mesclando nesse contexto, uma das mesas levantou uma questão chave: “o que atrai o jovem?”. Nessa pergunta, foi possível considerar a amplitude social em que está se padronizando a juventude, avaliando a questão familiar com a necessidade de construir uma relação entre os pais, participantes do projeto e o próprio projeto, para que possam dar autonomia ao filho, porque muitas vezes o bloqueio ao acesso a espaços culturais do projeto acontece dentro de casa, nesse embate de contextos pais-filhos, visando trabalhar essa dificuldade, indo muito além apenas da autonomia juvenil, mas tendo o papel de integrar os pais a essa rotina de discussão social partindo da compreensão de valores e melhorando o convívio nesse meio tão conturbado.

Já nas mesas de políticas de juventude a questão foi “jovem é somente aquele que tem de 15 a 29 anos?” As respostas foram todas voltadas para o não, pois ser jovem vai além de ter apenas 29 anos. O que caracteriza um jovem é tomar consciência, ter responsabilidades, fazer a diferença, foram estas as respostas dadas pelos presentes nesta mesa. Na segunda rodada a mesa discutiu o Projeto “Vai”, estando presente o coordenador do projeto do município Paulista, no qual para serem aprovados os projetos, há uma seleção em que a proposta de cada grupo que pretende se beneficiar tem que ter um plano claro e possuir teto estrutural de 30 mil reais. O “Vai 1” disponibiliza o dinheiro para projetos jovens de 18 a 29 anos. Foi aprovado o “Vai 2” para grupos que precisam de ajuda financeira e que já estejam em sua caminhada.

Para o encerramento do evento, os jovens do coletivo Usina dos atos- Céus Dutra fizeram uma apresentação voltada para a questão da mídia, criando uma reflexão artística sobre o cenário brasileiro de mídia – indústria, e como os veículos de comunicação podem ocultar fatos e questões sociais muito visíveis, desvirtuando o olhar para o consumo e o enobrecimento machista de produtos estéticos, enfatizando o poder de persuasão sobre a juventude, passando nas falas e encenações uma mensagem simples “é só desligar a TV”. Para todos ficou a dica!

Entrevista

Assista uma entrevista exclusiva feita pelos jovens comunicadores durante o encontro.

Por Maria Carolina, Cadu ferreira e Caterine Sofiatti, jovens comunicadores

 

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