Encontro discute 10 anos da lei que institui disciplina afro-brasileira nas escolas

No dia 6 de abril, aconteceu em São Paulo o seminário “Educomunicação tem cor?”, promovido pela AfroeducAção, discutiu os 10 anos da Lei Federal nº 10.639/03, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”.  e de como a educomunicação pode contribuir com isso.

O encontro foi composto por dois momentos. O primeiro deles foi uma mesa de debate com os professores doutores Ismar de Oliveira Soares, Angela Schaun e Vera Lucia Benedito. O encontro foi mediado pela jornalista Paola Prandini, fundadora da AfroeducAção, consultoria que desenvolve projetos culturais com enfoque educacional, abordando questões da negritude.

A professora dra. Angela Schaun, baiana e primeira estudante brasileira branca a morar com negros nos Estados Unidos, disse que ao chegar a São Paulo teve dificuldades de discutir o tema negritude, e que então teve de buscar outras áreas para atuar, mas que a estética negra na mídia brasileira sempre a instigou. E ela via que a cultura afro não estava sendo discutida de forma correta no país, pois era preciso discutir a singularidade, a beleza. A professora lembrou que no Censo de 2010, 51% da população brasileira se declarou afrodescendente.

Coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP e da licenciatura em Educomunicação, Ismar de Oliveira Soares tem a educomunicação como um campo de intervenção social. Segundo ele, é necessário um envolvimento social para mudar a atual realidade. E chegou a lembrar da Aliança das Civilizações, uma iniciativa da Unesco que busca sensibilizar a sociedade para superar preconceitos.

Para a professora dra. Vera Lucia Benedito, os livros não citam os negros de forma positiva. Ela lembrou que aos 12 anos de idade fez um trabalho sobre a escravidão, considerado o melhor da escola por ter contado uma experiência pessoal. “Estava falando da minha história”, disse. Para a professora não basta ter uma lei, projetos ou propostas políticas, pois o fundamental nessa lei é mudar a cabeça, as percepções equivocadas das pessoas sobre esse tema. “Para muitos pais falar sobre a cultura negra significa falar em candomblé”, falou.

Após o debate, os organizadores do encontro promoveram oficinas educomunicativas, das quais os participantes tinham três opções: fanzine, de fotografia e vídeo.

Texto por Tatiana dos Santos Nogueira e Carlos Eduardo Ferreira/Fotos por Jenicleide de Barros, adolescentes comunicadores da Agência Jovem de Notícias, em São Paulo (SP)

 

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