26/07/2017- Bahia- “Respeita as Pretas”, debate promovido pelas Secretarias de Políticas para Mulheres e de Promoção da Igualdade, na Escola Estadual Severino Vieira Foto: Carol Garcia/GOVBA

Empoderamento feminino: para além da autoestima

Por: Hadassa Nunes da Agência Jovem de Notícias/ Foto: Carol Garcia/GOVBA / fotos públicas (26/07/2017)

Mulheres fortes, livres e orgulhosas. Decididas e independentes. O empoderamento veio para estimular um sentimento durantes anos negado a nós: o poder. A ressignificação do papel da mulher na sociedade trouxe autonomia sobre a própria vida, que atua de forma individual e coletiva.

Falar sobre empoderamento é motivador, é desprender-se, é encontrar-se. É uma ação de movimento, caminho de percurso eterno e impossível de voltar atrás.

Quando falamos em empoderamento, resgatamos na memória imagens de mulheres negras. Elas, que são orgulhosas de suas raízes, cabelos, traços, corpos e cultura. Inspiraram a criação da geração tombamento, lacre e força black, um verdadeiro emanar de resistência. Aparentemente, sempre fortes e determinadas, indolores e com grande autoestima. Subterfúgio que esconde as grandes mazelas que o racismo e o machismo insistem em reforçar.

Ser mulher negra é lidar com dados que machucam, é enxergar poucas perspectivas e expectativas. É saber que somos afligidas pelo racismo e estamos mais sujeitas a ansiedades e depressões, e mesmo assim sermos sempre vistas como uma grande fortaleza.

A autoestima é mais um caminho para o empoderamento, e o que o empoderamento faz por nós é muito maior do que qualquer outro “termo” poderia fazer. Mas não nos isenta do preterimento e da solidão.

Falar da autoestima da mulher negra é também explorar inseguranças, medos e vergonhas. É ter que encarar o espelho e lidar, muitas das vezes, com cabelo em processo de transição, o excesso ou a falta de peso, o desencaixe em relação à um padrão de beleza e ainda assim resistir. Um processo diário de autoafirmação e autoaceitação.

A busca pela ressignificação da autoestima exige perseverança, união, – porque juntas somos mais fortes – e se for preciso, ajuda profissional. Várias das dificuldades são encontradas na busca por esse empoderamento, está atrelada ao racismo: as dificuldades nas relações amorosas, a falta de perspectiva do crescimento profissional e pessoal, e muitas das vezes, a auto sabotagem.

O racismo e o machismo privam a representatividade, hiperssexualizam, limitam a ocupação de espaços acadêmicos e profissionais e fazem desacreditarmos de nós mesmas. Falar sobre a autoestima como um dos caminhos para o empoderamento é buscar vencer todas essas barreiras, inclusive as criadas por nós.

Escolher esse percurso é aprender dia após dia a se amar e se respeitar como um ato que nos dignifica. Um verdadeiro estímulo para criarmos autonomia sobre nossos corpos, cabelos e sexualidade. Escolher esse percurso é encarar a transição capilar (se você quiser), não se sujeitar a relacionamentos abusivos, é encarar os ataques machistas e racistas de frente, é lidar com a crítica – principalmente se ela não vier pra edificar – é superar suas próprias limitações. E ainda assim, se reconhecer como alguém que sente, que sofre, que chora e que não precisa ser forte o tempo todo, ou demonstrar ser.

 

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