Em psicanálise perde-se a esperança?

Quando o sujeito se supõe como incompleto e não “terceiriza” suas queixas, pode se perde a ilusão da ESPERA NA ESPERANÇA, aquilo que aparece nas fantasias como um momento ideal, a hora ideal, dia ideal a pessoal ideal, que fará com um simples toque de mágica as transformações da vida melhor.

Por Reynaldo de Azevedo Gosmão

Como um sujeito pode seguir sem esperança? Talvez, podemos considerar que em um processo psicanalítico, em uma análise, se perde a ESPERA da ESPERAnça.

Se a queixa é algo que usamos para dizer que tem alguma coisa “ruim”, um indesejado que nos atormenta,  geralmente, na neurose, a saída visada é que o outro venha nos tirar dessa condição, seja a princesa encantada que dará o amor pleno, o pai que resolverá o problema, a mãe que vai dar colo no sofrimento. 

Quando o sujeito se supõe como incompleto e não “terceiriza” suas queixas, pode se perde a ilusão da ESPERA NA ESPERANÇA, aquilo que aparece nas fantasias como um momento ideal, a hora ideal, dia ideal a pessoal ideal, que fará com um simples toque de mágica as transformações da vida melhor.

Além de deixar de esperar, talvez a psicanálise aponte que perder a espera da esperança seja sair de uma posição do significado de impotência: “que um outro faça por mim”, é parar de se equilibrar dentro das pequenas prisões e cair no trabalho, propor a se ralar nesse espaço que tem frustrações, esforço e que possa enfim algo acontecer. 

Existe uma piada italiana, que ilustra bem: Um homem pobre vai à igreja todos os dias e reza diante da estátua de um grande santo, dizendo: “Querido santo, por favor, por favor, por favor… conceda-me a graça de ganhar na loteria”. Esse lamento dura meses. Por fim, irritada, a estátua ganha vida, baixa os olhos para o suplicante e diz com uma repulsa cansada: “Meu filho, por favor, por favor, por favor… compre um bilhete”.

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